Sob o mote “Educar para Prevenir”, o Dia da Anemia, comemorado a 26 de novembro, quer sensibilizar para a incidência da anemia em crianças e adolescentes, bem como nas mulheres em idade fértil.
Cansaço, dificuldade de concentração e falta de energia: são estes os sintomas que “mascaram” a anemia, uma condição clínica que afeta «entre 5 a 20% das crianças em idade pré-escolar e entre 8 a 20% dos adolescentes», refere Lino Rosado, hematologista pediátrico.
Nas crianças, a anemia por deficiência de ferro é frequente e «resulta de um crescimento muito rápido, principalmente no primeiro ano de vida, e de uma ingestão inadequada de ferro», refere o especialista em Pediatria. «A prematuridade, o aleitamento materno em exclusivo, sem a ingestão de alimentos ricos em ferro para além dos seis meses de idade, a introdução de leite de vaca inteiro antes do primeiro ano de idade e o consumo excessivo de leite para além desta idade, assim como as restrições dietéticas, como, por exemplo, o vegetarianismo» são as principais causas de deficiência de ferro nas crianças, explica Lino Rosado.
Já a adolescência é um período muito importante de vulnerabilidade nutricional e de necessidades de ferro devido «ao grande crescimento e desenvolvimento muscular». Nesta faixa etária, «a mudança de hábitos alimentares, resultante da influência do grupo, e a necessidade de autoafirmação no seio da família acabam por conduzir à deficiência em ferro».
Mas não são apenas as crianças as que mais sofrem de anemia. Aliás, em Portugal, estima-se que 20% das mulheres sejam afetadas, valor este que aumenta para os 40% quanto às grávidas. Em idade reprodutiva, as mulheres «perdem regularmente sangue por intermédio da menstruação e ao engravidar ficam mais sujeitas a sofrer de anemia», explica João Mairos, especialista em Ginecologia e Obstetrícia.
Embora possa ser uma doença primária, a anemia é, geralmente, uma manifestação de outras doenças «que implicam a ocorrência de hemorragias, doenças que impedem a absorção de nutrientes, tais como o ferro, ou doenças do foro oncológico», refere João Mairos. Mas, envolvidas nas suas obrigações profissionais ou familiares, as mulheres não estão sensibilizadas para o risco de anemia, associando, muitas vezes, os sintomas da doença a outras patologias, como a depressão.
Também a gravidez e o período de amamentação representam um fator de risco, uma vez que «há uma necessidade progressivamente maior de ferro», tanto para o desenvolvimento do feto e da placenta, na gravidez, como para fornecer o ferro necessário ao bebé através do leite materno, na amamentação.
Assim, tanto para as crianças e adolescentes como para as mulheres, um diagnóstico atempado e um tratamento adequado são essenciais para minimizar as consequências da anemia.
Seja a curto ou a longo prazo, o especialista em Pediatria reforça que os efeitos de uma carência em ferro associada, ou não, à anemia são numerosos, podendo afetar «o desenvolvimento neuropsicomotor, a capacidade de aprendizagem, o apetite e o crescimento, além de poder comprometer a resposta do sistema imunológico». Para a sua prevenção, os pais têm um papel decisivo, mas devem contar com o apoio do médico pediatra.
Já no que respeita às mulheres, é essencial «estar atenta aos sinais e sintomas, manter uma vigilância regular com o seu ginecologista ou com o seu médico de família e investir numa dieta de melhor qualidade», refere João Mairos. Desta forma, a visita regular a um médico ginecologista é extremamente importante para detetar e tratar a doença, permitindo «diagnosticar precocemente a existência de doenças ginecológicas causadoras de anemia. Além disso, a prescrição adequada de contraceptivos pode ser uma forma eficaz de prevenir a doença».
Anemia Working Group Portugal
Reunião Anual realiza-se em formato online nos dias 20, 21, 27 e 28 de novembro e conta com a presença de especialistas das diversas áreas













