Crédito: Procura disparou mas banca apertou critérios de concessão no segundo trimestre

Neste mesmo período em análise, a procura de crédito aumentou “fortemente” por parte das empresas. Mas diminuiu “fortemente” por parte dos particulares.

Sónia Bexiga

No segundo trimestre de 2020, os bancos portugueses tornaram os critérios de concessão de crédito a empresas e particulares mais restritivos face ao trimestre anterior, segundo apurou um inquérito realizado pelo Banco de Portugal (BdP), divulgado esta terça-feira.

Os resultados mostram ainda que, neste mesmo período em análise, a procura de crédito aumentou “fortemente” por parte das empresas e diminuiu fortemente por parte dos particulares.

Para o terceiro trimestre do ano, os bancos antecipam critérios mais restritivos no crédito a empresas, sobretudo a Pequenas e Médias Empresas (PME), e no crédito ao consumo. Do lado da procura, espera um aumento no segmento das empresas e uma virtual estabilização por parte dos particulares.

Em matéria de oferta, o estudo detalha ainda que no segundo trimestre deste ano, os critérios de concessão de crédito a empresas e particulares tornaram-se mais restritivos face ao trimestre anterior, especialmente nos empréstimos de longo prazo, no caso das empresas, e no crédito ao consumo, nos particulares.

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A contribuir para esta evolução terão estado a tolerância face aos riscos e a percepção de riscos associada à situação e perspetivas económicas gerais, à qualidade creditícia do mutuário e, ainda, os riscos associados às garantias exigidas, no caso do crédito a empresas.

Correspondentemente, houve um aumento da restritividade nas garantias exigidas a empresas e no spread aplicado a empréstimos a PME de maior risco, e um ligeiro aumento da restritividade no rácio entre o valor do empréstimo e o valor da garantia, no crédito à habitação.

A proporção de pedidos de empréstimo rejeitados aumentou, em ambos os segmentos de crédito, mas especialmente no caso dos particulares, tanto para habitação como para consumo.

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Para o terceiro trimestre de 2020, os bancos antecipam critérios de concessão de crédito mais restritivos em empréstimos a PME e ligeiramente mais restritivos no crédito ao consumo.

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No segundo trimestre do ano, a procura de empréstimos por parte das empresas aumentou fortemente, especialmente no segmento de PME e em empréstimos de longo prazo e, em contraste, diminuiu fortemente no caso dos particulares, em ambos os tipos de crédito mas especialmente no crédito ao consumo.

O aumento da procura por parte das empresas terá sido motivado pelo financiamento de existências e de necessidades de
fundo de maneio e, em menor grau, pelo refinanciamento ou renegociação da dívida e pela necessidade de financiamento criada pela situação atual quanto à geração interna de fundos. Por sua vez, o financiamento do investimento terá contribuído para uma redução da procura.

Para os particulares, a confiança dos consumidores foi o principal fator indicado para a redução da procura, para além de despesas de consumo relativas a bens duradouros, no caso do crédito ao consumo, e as perspetivas do mercado da habitação, no caso do crédito à habitação.

Para o terceiro trimestre de 2020, os bancos anteveem um aumento da procura de crédito por parte das empresas, transversal ao tipo de empresa e maturidade do empréstimo, e uma virtual estabilização, no caso dos particulares.

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