Crédito: Procura disparou mas banca apertou critérios de concessão no segundo trimestre

No segundo trimestre de 2020, os bancos portugueses tornaram os critérios de concessão de crédito a empresas e particulares mais restritivos face ao trimestre anterior, segundo apurou um inquérito realizado pelo Banco de Portugal (BdP), divulgado esta terça-feira.

Os resultados mostram ainda que, neste mesmo período em análise, a procura de crédito aumentou “fortemente” por parte das empresas e diminuiu fortemente por parte dos particulares.

Para o terceiro trimestre do ano, os bancos antecipam critérios mais restritivos no crédito a empresas, sobretudo a Pequenas e Médias Empresas (PME), e no crédito ao consumo. Do lado da procura, espera um aumento no segmento das empresas e uma virtual estabilização por parte dos particulares.

Em matéria de oferta, o estudo detalha ainda que no segundo trimestre deste ano, os critérios de concessão de crédito a empresas e particulares tornaram-se mais restritivos face ao trimestre anterior, especialmente nos empréstimos de longo prazo, no caso das empresas, e no crédito ao consumo, nos particulares.

PME enfrentam mais exigências. Particulares mais longe de comprar casa

A contribuir para esta evolução terão estado a tolerância face aos riscos e a percepção de riscos associada à situação e perspetivas económicas gerais, à qualidade creditícia do mutuário e, ainda, os riscos associados às garantias exigidas, no caso do crédito a empresas.

Correspondentemente, houve um aumento da restritividade nas garantias exigidas a empresas e no spread aplicado a empréstimos a PME de maior risco, e um ligeiro aumento da restritividade no rácio entre o valor do empréstimo e o valor da garantia, no crédito à habitação.

A proporção de pedidos de empréstimo rejeitados aumentou, em ambos os segmentos de crédito, mas especialmente no caso dos particulares, tanto para habitação como para consumo.

Para o terceiro trimestre de 2020, os bancos antecipam critérios de concessão de crédito mais restritivos em empréstimos a PME e ligeiramente mais restritivos no crédito ao consumo.

Procura dispara entre as empresas. Particulares recuam
No segundo trimestre do ano, a procura de empréstimos por parte das empresas aumentou fortemente, especialmente no segmento de PME e em empréstimos de longo prazo e, em contraste, diminuiu fortemente no caso dos particulares, em ambos os tipos de crédito mas especialmente no crédito ao consumo.

O aumento da procura por parte das empresas terá sido motivado pelo financiamento de existências e de necessidades de
fundo de maneio e, em menor grau, pelo refinanciamento ou renegociação da dívida e pela necessidade de financiamento criada pela situação atual quanto à geração interna de fundos. Por sua vez, o financiamento do investimento terá contribuído para uma redução da procura.

Para os particulares, a confiança dos consumidores foi o principal fator indicado para a redução da procura, para além de despesas de consumo relativas a bens duradouros, no caso do crédito ao consumo, e as perspetivas do mercado da habitação, no caso do crédito à habitação.

Para o terceiro trimestre de 2020, os bancos anteveem um aumento da procura de crédito por parte das empresas, transversal ao tipo de empresa e maturidade do empréstimo, e uma virtual estabilização, no caso dos particulares.

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