Numa semana que está a ser invariavelmente marcar pela turbulência na banca, principalmente devido à recente quebra no Credit Suisse, que levou à venda do credor helvético ao seu concorrente UBS, os mercados estão a começar a estabilizar com as notícias.
“O Credit Suisse tem sido visto como o elo mais fraco no setor bancário global há vários meses, após vários escândalos e más decisões administrativas. Acreditamos que a fusão pode, portanto, ajudar a estabilizar o sistema financeiro global”, diz Dirk Becker, Senior Portfolio Manager da Allianz Global Investors (Allianz GI), em comentário enviado à Executive Digest.
A empresa de gestão de investimentos acredita que o UBS está a ser pago para operar as partes arriscadas do Credit Suisse e, em troca, consegue manter uma lucrativa lucratividade alta na sua filial na Suíça.
“Eles terão um ganho de 54 mil milhões de francos suíços [mesmo valor em euros] porque estão a comprar o património do Credit Suisse com um grande desconto, e obtêm o capital AT1 ‘de graça’”, consideram.
No processo de aquisição do Credit Suisse, a Autoridade de Supervisão do Mercado Financeiro Suíço (Finma) disse que o negócio provocaria uma “redução completa” do valor de todos os títulos AT1 do banco, ou seja, que todos os detentores dos títulos perderiam todo o seu investimento.
Os investidores ficaram em alvoroço com a decisão do regulador suíço de fazer o Credit Suisse reduzir a sua dívida AT1 para zero. No entanto, esta decisão está dentro dos termos legais neste tipo de situação.
“A aquisição do Credit Suisse pode ser vista como positiva para o setor bancário em geral e para o sistema financeiro como um todo. Os bancos ainda esperam um ano recorde em 2023 devido às taxas de juros mais altas, depois de registrar seu maior lucro líquido no ano passado desde 2007”, sublinha Dirk Becker.
O especialista considera ainda que a regulamentação pode ser o principal risco para o futuro, visto que os reguladores tendem a ter uma visão conservadora sobre o risco e preferem adotar uma postura cautelosa.
Credit Suisse: Mercados estão em alvoroço por causa da AT1. O que é este título bancário de risco?














