Covid-19: Von der Leyen reconhece erros da Europa em carta aberta aos italianos

A Presidente da Comissão Europeia escreve na carta que a a União Europeia «teve um comportamento danoso que podia ter sido evitado», perante a pandemia de Covid-19.

Simone Silva

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, escreveu uma carta aberta à população italiana, na qual reconhece alguns erros por parte da Europa, na forma como quis fazer frente à pandemia de Covid-19. O documento foi publicado no jornal italiano ‘La Repubblica’.

Hoje «a Europa está a mobilizar-se ao lado da Itália, mas nem sempre foi assim» assume von der Leyen, acrescentando que «A Itália foi afectada pelo coronavírus mais do que qualquer outro país europeu. Somos testemunhas do inimaginável», disse, reconhecendo também que «nos primeiros dias da crise, perante a necessidade de uma resposta comum europeia, pensámos demasiado apenas nos nossos próprios problemas».

A responsável europeia considera que o erro inicial foi «não termos percebido que só juntos, como União, poderíamos vencer esta pandemia», assumindo que «este foi um comportamento danoso e que podia ter sido evitado». Se estamos num tempo em que a distância entre as pessoas é fundamental, «a distância entre as nações europeias, pelo contrário, coloca tudo em perigo», defende Von der Leyen.

Reconhece contudo, que «no último mês, a Comissão Europeia não poupou esforços para ajudar a Itália», uma vez que foi graças aos esforços institucionais que «25 países europeus uniram forças e enviaram milhões de máscaras para Itália e Espanha para a protecção de todos, em especial dos trabalhadores do sector da saúde», defende a responsável

Von der Leyen acredita que depois de terem sido corrigidos os erros do passado e de se ter implementado «uma resposta coordenada a um problema comum, passámos a ver mais solidariedade na Europa do que em qualquer outra parte do mundo».

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A responsável destaca várias iniciativas, tais como o anúncio feito na quarta-feira relativo a uma «caixa de integração europeia», baptizada como Sure, que se destina a ajudar os que «não têm neste momento possibilidade de trabalhar mas que não podem deixar de pagar as contas» e a apoiar «milhares de empresas fortes e saudáveis que se encontram em dificuldades por causa do coronavírus».

A situação actual está a pressionar as finanças dos países europeus, «a Europa quer dar-lhes a mão», mas isso só pode acontecer através da «solidariedade» de todos os Estados-membros. Com este apoio, no valor de 100 mil milhões de euros, segundo a presidente da Comissão Europeia, são muitos os trabalhadores que vão conseguir ultrapassar esta fase, voltando aos seus trabalhos anteriores quando as medidas de contenção da pandemia forem levantadas.

Ursula von der Leyen, termina a carta sublinhando que «esta crise é uma prova para a Europa» como tal «não nos podemos permitir falhar», porque «as decisões que tomamos hoje serão recordadas durante anos» e «dão forma à Europa de amanhã». Se já foram tomadas «algumas decisões corajosas», o facto é que «muitas outras serão ainda necessárias». A única resposta possível é a existência de «uma Europa fundada na solidariedade – a nossa maior esperança e o nosso investimento num futuro comum».

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