Covid-19: Visons abatidos na Dinamarca podem ter contaminado as águas subterrâneas

Um estudo realizado para a agência de proteção ambiental do país concluiu que as águas subterrâneas da área já podem ter sido contaminadas pelos animais, pedindo às autoridades que tomem medidas rápidas.

Simone Silva

Visons, ou martas, em decomposição enterrados em valas na Dinamarca após serem abatidos por receio de que tivessem Covid-19, podem ter contaminado as águas subterrâneas, avança o ‘The Guardian’, detalhando que o Ministério da Agricultura admitiu ter perdido o rasto de cerca de 1,5 milhões de cadáveres.

A Dinamarca, o maior exportador mundial de pele de vison, anunciou no início do mês passado o abate de até 15 milhões de visons após descobrir uma mutação do novo coronavírus nos animais, que poderia pôr em causa a eficácia de vacinas futuras.

Incapazes de incinerar um número tão grande de animais mortos de uma só vez, as autoridades enterraram dezenas de milhares em valas de dois metros, numa área de treino militar na Jutlândia Ocidental, de onde alguns começaram recentemente a emergir com os seus corpos cheios de gases.

Esta quinta-feira uma rádio local dinamarquesa revelou que um estudo realizado para a agência de proteção ambiental do país concluiu que as águas subterrâneas da área já podem ter sido contaminadas pelos animais, pedindo às autoridades que tomem medidas rápidas.

A agência disse esta semana que não espera que as conclusões de uma pesquisa mais ampla sobre o impacto ambiental dos locais de sepultamento em massa, que foram colocados sob vigilância 24 horas, sejam divulgados antes do final do ano.

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O ministério da alimentação, agricultura e pesca admitiu que não poderia dizer com certeza onde ou como as 4.700 toneladas, ou os cerca de 1,5 milhões de visons mortos foram eliminados. «Pode parecer extremamente questionável, mas não conseguimos explicar», disse o ministro da Agricultura, Rasmus Prehn.

Do total de animais abatidos pelo governo dinamarquês, cerca de 10.400 toneladas estão em duas valas comuns em Holstebro e Karup, no oeste da Dinamarca, enquanto que outras 14 mil foram processadas numa fábrica normalmente usada pela indústria de peles. Cerca de 2.300 toneladas foram incineradas ou aguardam incineração, deixando 4.700 toneladas, ou 1,5 milhões de corpos, desaparecidos.

«É problemático que o governo não consiga explicar onde estão esses visons e como foram eliminados», disse uma autoridade do partido liberal de oposição, Ulla Tørnæs, à mesma rádio. «O impacto ambiental é obviamente diferente dependendo de quantas toneladas de vison estão enterradas nessas sepulturas. Os cidadãos que vivem perto dos túmulos têm o direito de saber quantos são», acrescentou.

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