Covid-19: vírus pode permanecer nos órgãos durante meses, aponta estudo

Pesquisa do National Institutes of Health, dos Estados Unidos, revelou presença do vírus em 79 das 85 partes anatómicas do corpo humano

Francisco Laranjeira

O vírus responsável pela Covid-19 não apenas se espalha por todo o corpo para diversos órgãos fora do sistema respiratório como pode permanecer lá por meses depois da infeção original. Esta é a conclusão de um estudo recente do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, que descobriu que a Covid-19 pode “disseminar-se precocemente durante a infeção e infetar células por todo o corpo”.

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Os órgãos em risco de infeção, aponta o estudo, incluem o cérebro, tecido ocular, músculos, pele, nervos periféricos, bem como tecidos dos sistemas cardiovascular, gastrointestinal, reprodutivo, endócrino e linfoide.

Para a realização do estudo foram cumpridas 44 autópsias em corpos de pessoas que morreram do vírus ou enquanto infetadas com ele, até 230 dias depois de mostrarem os sintomas iniciais da Covid-19. O vírus foi encontrado em todos os 44 corpos e em 79 das 85 áreas anatómicas e fluidos corporais que constituíram a amostra. A presença do vírus foi amplamente distribuída, mesmo em pessoas que morreram de outras causas e que tiveram Covid-19 de forma leve ou assintomática.

“Os nossos dados apoiam uma fase viral inicial”, descreveram os investigadores, sobre a presença do vírus no sangue, “que semeia o vírus por todo o corpo após a infeção pulmonar”. O estudo foi conduzido durante o primeiro ano da pandemia, antes de as vacinas estarem disponíveis e portanto não foi capaz de examinar a influência de inoculação na disseminação do vírus mas trouxe luz sobre os casos conhecidos como ‘Covid-19 longo’, no quais os pacientes recuperados continuam a sofrer de problemas de saúde depois de terem recebido alta.

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