Covid-19: Vários países europeus consideram misturar diferentes vacinas para combater suspensão da AstraZeneca

Vários países europeus estão a considerar misturar diferentes vacinas contra a Covid-19 para cidadãos que receberam a primeira dose da injeção da AstraZeneca, preparando-se já para uma possível suspensão do fármaco, devido a ligações a coágulos sanguíneos, avança a ‘Reuters’.

Os programas de vacinação foram interrompidos após um pequeno número de relatos de que os recetores da vacina AstraZeneca tiveram coágulos sanguíneos extremamente raros, levando alguns países em todo o mundo a suspender o seu uso por precaução.

A Alemanha foi o primeiro país europeu a recomendar, a 1 de abril, que pessoas com menos de 60 anos que receberam uma primeira injeção de AstraZeneca fossem vacinadas com uma injeção diferente para a sua segunda dose.

A Noruega vai decidir se retoma o uso da vacina da AstraZeneca ou se confia em alternativas até dia 15 de abril. As autoridades estão a aguardar os resultados de um teste britânico lançado em fevereiro para explorar a mistura de doses das vacinas Pfizer e AstraZeneca.

O Reino Unido disse no final do ano passado que iria permitir que as pessoas tomassem diferentes vacinas contra a Covid-19 em raras ocasiões. Contudo, até ao momento isso ainda não aconteceu. Mas hoje o regulador britânico recomendou a suspensão da vacinação com a AstraZeneca a menores de 30 anos.

A Finlândia, que voltou a usar a vacina AstraZeneca a partir de 29 de março, mas apenas em pessoas com 65 anos ou mais, disse que iria aguardar pelas conclusões da EMA (entretanto conhecidas) antes de fazer uma recomendação.

O mesmo acontece com Portugal que, para já, mantém a vacinação com a AstraZeneca, até ser dada uma indicação em contrário. Em França, onde a vacina atualmente só pode ser usada por pessoas com 55 anos ou mais, o problema afeta centenas de milhares de pessoas.

EMA reitera que benefícios da vacina superam riscos 

A diretora da EMA, Emer Cooke, esclareceu esta quarta-feira que apesar de se confirmar eventos de trombose «raros» devido à toma da vacina da AstraZeneca, os benefícios continuam a superar os riscos.

Em conferência de imprensa esta tarde, a responsável referiu que «análise feita à vacina da AstraZeneca confirmou que os benefícios na prevenção da Covid-19 continuam a superar os riscos». «A vacina provou ser altamente eficaz na luta contra a pandemia, pelo que continuamos a aconselhar o seu uso», acrescentou.

Ainda assim, a EMA encontra uma «possível ligação» entre os casos de coágulos sanguíneos e a vacina, motivo pelo qual, estes sintomas «serão incluídos na lista de efeitos secundários raros da mesma», revelou ainda Cooke.

«Não há uma ligação de género, idade, ou pré-condições de saúde nestes casos raros de coágulos sanguíneos», adiantou a diretora da EMA sublinhando que é importante considerar estes sintomas, pelo que os profissionais de saúde «devem estar atentos».

Em causa estão declarações de um responsável da EMA, prestadas ontem a um jornal italiano. Marco Cavaleri confirmou ao ‘Il Messaggero’ a existência de uma relação entre a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca e a ocorrência de coágulos de sangue raros em pessoas vacinadas.

«Podemos agora dizê-lo: é evidente que existe uma ligação com a vacina. O que causa esta reação, contudo, ainda não sabemos. Nas próximas horas diremos que existe uma ligação, mas ainda precisamos de compreender como isso acontece», disse Cavaleri.

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