O lote de 6,9 milhões de vacinas destinado a Portugal só chega para 3,450 milhões de portugueses (cerca de um terço da população), uma vez que a vacina é administrada em duas doses, apurou o CM junto do Infarmed. “No caso desta vacina, o regime posológico é de duas doses”, esclareceu fonte oficial da Autoridade Nacional do Medicamento, sublinhando que as vacinas vão chegar a Portugal “ao longo de um período previsional de 6-8 meses”.
Ou seja, numa primeira fase, terão de ser estabelecidos critérios de vacinação e grupos prioritários, afirma Etelvina Calvé, membro da equipa de coordenação do programa nacional de vacinação da Direção-Geral da Saúde (DGS), citada pela ‘Renascença’.
«Normalmente quando se definem grupos de risco, são aqueles que apresentam mais comorbilidades e têm maior probabilidade de desenvolver a doença grave», explica a especialista, acrescentando que «os profissionais de saúde e os cuidadores de pessoas são os que apresentam maior risco, ou seja, as pessoas que têm maior risco só por si».
Contudo a responsável sublinha que estas são orientações geralmente estabelecidas para doenças respiratórias, visto que para já ainda não existem nenhumas em concreto para o novo coronavírus, estimando-se que seja a Organização Mundial de Saúde a determinar essas regras, ratificadas depois pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças e adaptadas para Portugal pela DGS.
Também o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, defende que terão prioridade de vacinação «os grupos de risco e concomitantemente os profissionais de saúde que na prática vão também estar a lidar com os grupos de risco», afirma à ‘Renascença’.
Para além destes o especialista menciona ainda os «que têm maior risco de adoecer e de ter consequências mais severas», nomeadamente pessoas em idade avançada ou com problemas de saúde associados.
Ricardo Mexia considera que «teria que haver uma estratégia ou de centros de vacinação, ou no caso, por exemplo dos lares, em que provavelmente estarão incluídos em larga medida nestes grupos de risco», que tornasse possível proceder a essa vacinação, para evitar deslocações dos grupos de risco.
O responsável defende ainda que posteriormente a vacina deve estender-se também «àqueles que estão mais expostos, ou que têm efectivamente um potencial maior de disseminar a doença, e de ter complicações se ficarem infectados», nomeadamente aqueles cuja actividade laboral é de maior exposição e pressupõe o atendimento ao público.
A partir daqui, diz Etelvina Calvé, “haverá outras pessoas com outras patologias que poderão ser eleitas e vai-se descendo no grau de risco de forma a abranger toda a população, o objetivo num horizonte não muito distante é tornar a vacina universal”, salienta.
De recordar que o primeiro-ministro, António Costa, revelou na quinta-feira que Portugal iria adquirir 6,9 milhões de doses de uma vacina contra a Covid-19. O responsável adiantou que a vacinação será «universal e gratuita», numa compra que custou ao Governo 20 milhões de euros.
«A União Europeia (UE) coordenou uma aquisição conjunta para os diferentes países. Hoje [quinta-feira], num Conselho de Ministros electrónico, autorizámos a aquisição do primeiro lote de seis milhões e 900 mil vacinas. A UE seleccionou seis das diversas vacinas que estão em desenvolvimento a nível mundial», anunciou o primeiro-ministro numa visita ao Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia.
Costa admitiu a possibilidade de a vacina ser disponibilizada ainda em 2020. «Os optimistas acreditam que no final deste ano haverá os primeiros lotes. Os realistas têm de acreditar que os optimistas têm razão, mas temos de nos preparar para que assim possa não ser», disse.
Ainda assim o responsável acredita que está agora mais próximo «aquele dia fundamental em que há uma vacina desenvolvida pela ciência e produzida pela indústria, devidamente comercializada, distribuída e acessível à população».
Relativamente aos critérios, Costa confia «que a DGS defina os critérios que devem obedecer à vacinação progressiva, universal e gratuita da população portuguesa para assegurar a imunização».










