Covid-19. Utentes dos privados pagam kits de protecção dos médicos

Os hospitais privados estão a cobrar a pacientes, sem suspeita de Covid-19, kits de Equipamento de Proteção Individual (EPI) utilizados pelos profissionais de saúde durante os atendimentos a utentes, revela o “Correio da Manhã” (CM).

Numa factura do grupo Lusíadas Saúde, a que o “CM” teve acesso, de 17 de Abril e referente a uma Urgência Pediátrica, foram cobrados «capa para sapato plástico», «máscara respiratória FFP2», «bata impermeável com punho elástico» e «luva nítrico sem pó». O total? 86,12 euros. Segundo o jornal, são mais 26,12 euros do que o valor da consulta, com preço tabelado de 60 euros.

A mesma situação aconteceu na CUF Cascais, onde uma consulta custou 19,55 e o kit EPI 20 euros. Numa circular interna dos hospitais CUF, geridos pela José de Mello Saúde, a que o “CM” teve acesso, diz-se mesmo que cobrança deve ser aplicada «em todas as unidades», sendo destinada a pacientes «não Covid», sendo que o valor tem de ser pago na admissão do utente.

Nestes hospitais, há inclusive cinco kits a facturar aos pacientes, consoante o tipo de atendimento. O jornal escreve, por exemplo, que um paciente que se dirija a uma unidade CUF para fazer um exame, como um raio-x ou uma ecografia, tem de pagar mais 10 euros (valor mínimo cobrado). Caso o exame seja invasivo, tem um custo de 42 euros.

Já nos internamentos, cada utente paga um mínimo de 370 euros (preço tabelado para estadia em quarto duplo – Cirurgia), aos quais acrescem mais 15 euros por dia, para pagar duas luvas e uma máscara com respirador a seis profissionais de saúde.

Tudo somado, um doente que tenha sido operado nos hospitais CUF e que tenha de permanecer pelo menos três dias em internamento, terá de desembolsar 1155 euros. Isto sem contabilizar o valor da cirurgia e o material de protecção utilizado pelos profissionais durante a operação.

Questionada pelo “CM”, a Lusíadas Saúde justificou-se com os encargos na Urgência terem aumentado em 50%. Já o grupo José de Mello Saúde disse que os EPI «são prioritariamente cobrados às entidades financeiras responsáveis».

 

A nível global, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 168 mil mortos e infectou mais de 2,4 milhões de pessoas em 193 países e territórios. A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Portugal regista, neste momento, 20.863 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus e o número de vítimas mortais subiu para 735, revela o último boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado nesta segunda-feira, 20 de Abril.

O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».

Ler Mais


Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.