Covid-19. UNESCO: «A crise vai mudar a Educação» para sempre

A directora-geral adjunta da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura defendeu, em entrevista à “TSF”, que esta crise pode ser um laboratório interessante para conseguirmos ter novas ideias e soluções para a Educação».

Executive Digest

A directora-geral adjunta da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) defendeu, em entrevista à “TSF”, que esta crise pode ser um laboratório interessante para conseguirmos ter novas ideias e soluções para a Educação».

Também ela em isolamento social, é a partir de casa, em Paris, Stefania Giannini, ex-reitora da Universidade de Perugia, em Itália, admitiu que ser professor nunca foi fácil, «mas hoje é mais desafiante do que nunca».

Há, neste momento, 191 países com escolas e universidades fechados. «A UNESCO começou a monitorizar os dados desde o início. Em pouco dias, 300 milhões de crianças deixaram de ir à escola, na China, Itália e em mais alguns países. Mas este número tem vindo a subir e hoje temos 1.600 milhões de alunos em casa, que representam mais de 90% da população estudantil de todo o mundo., É uma situação sem precedentes», comentou.

A italiana Stefania Giannini constata que, «em muitos países, as escolas são dos locais mais seguros, mas são também, muitas vezes a garantia de uma nutrição apropriada. O fecho das escolas tem, claro, implicações no bem-estar das crianças e das famílias». Daí que seja preciso «garantir a qualidade do ensino, não deixar os mais desfavorecidos para trás e garantir equipamentos que assegurem esta mudança».

Os impactos «são muito fortes», mas «onde vemos um risco, também podemos ver uma oportunidade», sublinhou. «Penso que o momento que estamos a viver também serve para fortalecer as ligações entre todos os actores do processo educativo, criar parcerias entre os Governos e sensibilizar para a importância da educação durante a crise e depois dela», continuou.

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O primeiro desafio que se enfrenta no imediato é o de mudar «de um dia para o outro» das salas de aulas tradicionais para plataformas de e-learning e continuar a assegurar o ensino. «Não é fácil e óbvio em lugar nenhum do mundo.»

O segundo «é dar aos principais actores do processo, professores e alunos, especialmente os da primária, todas as ferramentas necessárias. Não apenas as infraestruturas e plataformas, mas também aptidões sociais e emocionais para estarem preparados. Para fazerem esta transição com naturalidade, aprenderem e ensinarem num novo contexto sem precedentes e totalmente inesperada», acrescentou.

A responsável assegurou ainda que a UNESCO está em «contacto directo» com «quase todos os Governos e ministros da Educação». «Organizámos já a primeira reunião ministerial centrada nos grandes tópicos», anunciou.

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A directora-geral adjunta da UNESCO para a Educação, a Ciência e a Cultura reconheceu ainda que «não há uma fórmula universal». «Temos visto que esta é uma verdade na Saúde, mas também é válida para a educação – se é que as podemos comparar os dois sectores afectados de forma diferente e com graus de relevância diferentes», realçou.

Giannini defendeu também que «agora que fomos obrigados a mudar de um dia para o outro, podemos aproveitar e finalmente mudar alguma coisa». E «não é apenas sobre usar melhor ou pior as infraestruturas e os equipamentos. É um paradoxo: Quanto mais somos obrigados a mudar-nos das salas de aulas tradicionais, para salas virtuais, mais importante se torna centrar-nos no lado humano, no bem-estar, nas necessidades emocionais e sociais. É importante atrairmos os jovens e as crianças para o centro da construção do processo educativo, tal como é importante apoiarmos as famílias para além desta crise.»

O país regista, neste momento, 599 vítimas mortais associadas à Covid-19, mais 32 do que ontem, e 18.091 infectados (+643), segundo o boletim epidemiológico divulgado esta quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de Março, encontra-se em estado de emergência desde a meia-noite de 19 de Março e até ao final do dia 17 de Abril, depois do prolongamento aprovado na passada quinta-feira na Assembleia da República.

A pandemia da Covid-19 ultrapassou os dois milhões de infectados em todo o mundo, levando à morte de quase 127 mil pessoas, desde que a doença surgiu em Dezembro na China, segundo um balanço da Agence France-Press às 10 horas.

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De acordo com os dados da agência de notícias francesa, a partir de dados oficiais, foram registadas 126.871 mortes e pelo menos 2.000.576 casos de infecção, especialmente na Europa. O continente europeu continua a ser o mais afectado com 1.010.858 casos e 85.271 mortos.

Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

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