Um em cada dez profissionais de saúde que contraíram Covid-19 ligeiro, reportaram sintomas persistentes como fadiga ou perda do paladar e do olfato mais de 30 semanas, cerca de oito meses, após terem recuperado da infeção.
O estudo foi realizado por investigadores do Karolinska Institutet em Estocolmo, Suécia, e tornou ainda possível concluir que estes sintomas, moderados a graves, estavam a causar um impacto negativo na sua vida profissional e social.
Para o estudo, publicado no JAMA, a equipa recolheu dados de uma outra pesquisa realizada na Suécia, sobre a imunidade após o coronavírus. Foram recolhidas amostras de sangue de 2.149 funcionários do Hospital Danderyd, em Estocolmo, no período compreendido entre 15 de abril e 8 de maio de 2020.
A cada quatro meses, as amostras de sangue eram recolhidas e os participantes respondiam a perguntas, de forma a monitorizar os sintomas a longo prazo e o seu impacto na qualidade de vida de cada um.
Num terceiro acompanhamento, em janeiro de 2021, a equipa analisou as amostras de 323 profissionais que tinham contraído o vírus de forma ligeira há pelo menos oito meses, comparando-os com os restantes 1.072 do grupo de controlo.
Os resultados mostraram que 26% das pessoas com teste positivo no passado tinham pelo menos um sintoma que durou mais de dois meses, em comparação com 9% no grupo de controlo. Adicionalmente, cerca de 21,4% disseram que os seus sintomas ainda persistiam após quatro meses e 14,9% após oito meses.
O sintoma de longo prazo mais comum foi a perda do olfato, reportada por 14,6% dos inquiridos, durante pelo menos dois meses e por 9%, cerca de oito meses depois. Completando os três principais sintomas de longa duração estão a fadiga e a perda do paladar, respetivamente.
«Investigámos a presença de sintomas de longo prazo após COVID-19 ligeiro, num grupo relativamente jovem e saudável de indivíduos que trabalham, e descobrimos que os sintomas predominantes são a perda do olfato e do paladar», revelou Charlotte Thålin, médica e uma das principais autoras do estudo.
Segundo a responsável, «fadiga e problemas respiratórios também são mais comuns entre os participantes que tiveram COVID-19, mas não ocorrem na mesma extensão», acrescentou ainda.














