Covid-19: Um em cada cinco sobreviventes é diagnosticado com um transtorno mental

Os cálculos foram feitos com base em cerca de 70 milhões de registos de saúde nos Estados Unidos, incluindo mais de 62 mil casos de Covid-19 que não exigiram internamento ou visita às urgências.

Simone Silva

Quase uma em cada cinco pessoas que tiveram Covid-19 são diagnosticadas com um transtorno mental, como ansiedade, depressão ou insónias dentro de três meses após o teste positivo para o vírus, de acordo com um novo estudo citado pelo ‘The Guardian’.

A análise, conduzida por investigadores da Universidade de Oxford e do NIHR Oxford Health Biomedical Research Center, também concluiu que pessoas com um diagnóstico de saúde mental pré-existente tinham uma probabilidade 65% superior de serem diagnosticadas com Covid-19 do que aquelas sem, mesmo contabilizando fatores de risco conhecidos, como idade, ou outros problemas associados.

«Esta descoberta foi inesperada e ainda precisa de investigação, contudo importa referir que ter um transtorno mental deve ser adicionado à lista de fatores de risco para Covid-19», afirmou Max Taquet, um investigador clínico académico do NIHR e um dos autores do estudo.

Os cálculos foram feitos com base em cerca de 70 milhões de registos de saúde nos Estados Unidos, incluindo mais de 62 mil casos de Covid-19 que não exigiram internamento ou visita às urgências. A incidência de qualquer diagnóstico de doença mental nos 14 a 90 dias após um diagnóstico de Covid-19 foi de 18,1%.

Para analisar se o risco excessivo estava diretamente associado ao Covid-19, os investigadores compararam os dados com seis outras condições no mesmo período: gripe; outras infeções do trato respiratório; uma infeção de pele; cálculos biliares; cálculos do trato urinário; e fratura óssea.

Continue a ler após a publicidade

Nos três meses após o diagnóstico de Covid-19, 5,8% dos pacientes foram diagnosticados com doença psiquiátrica pela primeira vez, em comparação com 2,5% a 3,4% dos restantes pacientes, ou seja, quase o dobro do risco, de acordo com o artigo publicado no jornal Lancet Psychiatry.

Ainda assim, Paul Harrison, professor de psiquiatria da Universidade de Oxford, considera que são necessárias mais investigações para estabelecer se o diagnóstico de um distúrbio psiquiátrico pode estar diretamente relacionado com o desenvolvimento do coronavírus.

Fatores gerais que influenciam a saúde física não foram identificados nos registos analisados, como histórico socioeconómico, tabagismo ou uso de drogas. Também existe a possibilidade de que o ambiente geral «stressante» da pandemia esteja a desempenhar um papel importante, observou o especialista.

Continue a ler após a publicidade

Uma outra descoberta particularmente preocupante foi a duplicação do diagnóstico de demência – que normalmente é irreversível – três meses após o teste positivo para o Covid-19, em comparação com outras condições de saúde.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.