A presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, admitiu que a União Europeia (UE) deve um pedido de desculpas a Itália por ter demorado a reagir na resposta à pandemia do novo coronavírus, que colocou o país numa situação de emergência, sem qualquer ajuda dos parceiros europeus.
«É verdade que ninguém estava preparado para isto. Mas também é verdade que muitos não chegaram a tempo quando a Itália precisou de ajuda no início de tudo isto. E é correto que toda a Europa apresente um sincero pedido de desculpas», disse Von der Leyen num discurso realizado no Parlamento Europeu esta quinta-feira.
A responsável considera também que «pedir perdão só conta caso se mude o comportamento» e que está «orgulhosa» por existirem médicos romenos e polacos «salvar vidas em Itália» e que todo o tipo de material médico esteja a «viajar pela Europa, das mãos daqueles que o podem emprestar aos que mais o necessitam».
Relativamente à vertente económica a presidente da CE acredita que a Europa «fez mais nas últimas quatro semanas do que nos primeiros quatro anos da crise anterior», sublinhando medidas tais como a flexibilização das regras em matéria de auxílios públicos ou de défice ou o fundo de desemprego ‘Sure’, com 100 mil milhões de euros em empréstimos para evitar despedimentos.
Von der Leyn admite contudo que a Europa precisa de «muito mais» do que aquilo que já feito, sublinhando novamente a necessidade de que o próximo orçamento a longo prazo seja como um «Plano Marshall» para a reconstrução da economia europeia, incentivando a uma recuperação com um cariz verde, digital e com mais resiliência.
Apelando à unidade da Europa com coragem, confiança e solidariedade na crise e para além dela, a presidente delineou o caminho para a recuperação: precisamos de «investimentos maciços no relançamento das nossas economias. Precisamos de um Plano Marshall para a recuperação da Europa, que deverá ser imediatamente posto em prática».
«Só existe um instrumento que merece a confiança de todos os Estados-Membros, que já se encontra disponível e que pode produzir esses resultados rapidamente. Trata-se de uma ferramenta transparente e que já passou o teste do tempo enquanto instrumento de coesão, convergência e investimento. Esse instrumento é o orçamento europeu. O orçamento europeu será a principal força motriz da nossa retoma económica».
Para terminar, a presidente destacou a necessidade de continuar a investir no Pacto Ecológico Europeu e de assegurar que a recuperação económica assenta na coesão e na convergência para ajudar os países e regiões mais afectados pela crise.
Por sua vez, David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu, agradeceu aos trabalhadores essenciais que permitem manter a Europa a funcionar, afirmando que «a humanidade dos cidadãos é o nosso maior bem»
«É especialmente importante manter as nossas democracias vivas e ouvir os nossos cidadãos durante este período. Temos de ser ambiciosos porque os nossos cidadãos precisam de uma resposta rápida», referiu o responsável.
O Parlamento Europeu vai votar entre quinta e sexta-feira as propostas de reorientação dos fundos europeus para a luta contra a pandemia, bem como uma resolução que vai pedir à Comissão e ao Conselho que utilizem obrigações de reconstrução para financiar a recuperação económica.














