«Já estamos a preparar Agosto de 2020 para os viajantes recomeçarem a vir a Portugal e temos todas as capacidades para dar a volta.» A frase é de Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, que falava esta quinta-feira numa webconference, promovida pela Deloitte.
Nesta fase, a operação aérea «vai ser fundamental», admitiu a ministra, citada pelo “Expresso”. Mas «nunca beliscando o que de alguma forma já conseguimos conter no controlo da pandemia», frisou Rita Marques, lembrando que em Agosto de 2019 cerca de 50% das dormidas foram garantidas pelos portugueses, espanhóis e britânicos – mercados «essenciais» na retoma do turismo em Portugal.
A secretária de Estado do Turismo vincou, no entanto, que «não teremos um ano de 2020 fantástico». Pelo contrário, continuou, «prevemos choques de 50% na receita face ao ano passado», mas «podemos ter uma trajectória de retoma. E o que nos levou a ser considerados o melhor destino do mundo não foi beliscado com a pandemia».
Do lado da ANA – Aeroportos de Portugal, o administrador da gestora aeroportuária disse que, no próximo Verão, o objectivo é garantir que os aeroportos estão prontos para receber passageiros com todas as condições de segurança. «Estamos conscientes que não podemos deitar tudo a perder, Portugal tem sido um case-study na forma como está a controlar a crise sanitária, o que também vai ser muito importante no período da retoma», disse Francisco Pita, sublinhando que tudo irá depender da duração das restrições e da abertura das fronteiras.
Francisco Pita defendeu ainda que «toda a cadeia de turismo tem de se apresentar como segura, desde táxis a hotéis e restaurantes» e que deve existir também uma «coordenação com as companhias aéreas para garantir que a abertura dos mercados se irá fazer».
Por sua vez, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, anunciou que a 29 de Abril haverá uma nova reunião com António Costa e as autoridades de saúde. E deixou algumas pistas: «Para o Verão a aposta será, sobretudo, no mercado português e espanhol. 2020 é um ano praticamente perdido para o turismo. 2021 poderá ser um pouco melhor. (…) Vamos sobreviver um dia de cada vez».
Para o presidente da CTP, uma coisa é certa. «Senão tivéssemos coronavírus, teríamos certamente mais um ano recorde.» Mas, agora, resta-nos «abrir de forma calma, segura, criativa, que permita a segurança às pessoas».
Francisco Calheiros não esquece, ainda assim, o aeroporto do Montijo: «O principal problema que tínhamos de momento se não fosse o coronavírus era o aeroporto. (…) Vamos aproveitar esta fase em que o aeroporto já não faz notícia de primeira página para o pôr a funcionar de vez».
Portugal regista já 22.353 casos de infecção pelo novo coronavírus, mais 371 do que ontem, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado nesta quinta-feira, que dá conta de 820 vítimas mortais (+35).
O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».
A pandemia de Covid-19 já matou 183 mil pessoas e ultrapassou os 2,6 milhões de infectados em todo o mundo, desde que surgiu em Dezembro na China, segundo um balanço da “Agence France-Press”, às 11 horas, a partir de dados oficiais. Pelo menos 696.700 pessoas foram consideradas curadas pelas autoridades de saúde.






