Em Portugal, um dos últimos países da Europa a reportar casos, foram confirmados para já nove infectados pelo vírus – seis no Porto, dois em Lisboa e um em Coimbra. A estes acrescem ainda os casos de outros dois portugueses infectados no Japão, a bordo do navio-cruzeiro Diamond Princess.
O primeiro português a acusar positivo para o novo coronavírus foi Adriano Maranhão, de 41 anos. O canalizador do Diamond Princess, atracado no Porto de Yokohama, no Japão, foi diagnosticado a 22 de Fevereiro e recebeu alta hospitalar a 1 de Março, após resultados negativos nas análises.
No domingo, 1 de Março, a Direção-Geral de Saúde lembrou que um outro português, tripulante do navio de cruzeiro encontra-se hospitalizado no Japão com confirmação de infecção por Covid-19.
Primeiros casos confirmados
Nesta segunda-feira, a DGS confirmou os dois primeiros casos de infecção em Portugal, um homem de 60 anos e outro de 33, internados em hospitais do Porto. O primeiro caso confirmado foi o de um médico do Centro Hospital do Tâmega e Sousa, de 60 anos, infectado com o novo coronavírus enquanto estava de férias no norte de Itália. Apresentou os primeiros sintomas a 29 de Fevereiro e está internado no hospital de Santo António, no Porto.
O segundo caso é o de um homem de 33 anos, trabalhador da construção, que terá sido infectado em Valência, Espanha. Terá apresentado os primeiros sintomas a 26 de Fevereiro.
Esta terça-feira, a DGS confirmou outros dois casos, com ligações àqueles que haviam sido já confirmados. Os infectados, dois homens com 60 e 37 anos, foram internados, no Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, e no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, respectivamente.
Entretanto, no dia seguinte, dois infectados obrigam a fecho de escolas no Porto e Amadora. O quinto infectado com Covid-19 em Portugal é professor de música na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, no Porto, esteve em Itália recentemente e informou os médicos do Hospital de São João, onde está internado, que esteve na Covilhã a dar aulas na passada semana, levando ao encerramento da escola e à suspensão de actividades lectivas. Já a escola na Covilhã, onde esteve durante os dias 26 e 27 de Fevereiro, a Escola Profissional de Artes da Covilhã permanece, para já, em funcionamento. Os alunos foram, ainda assim, autorizados a frequentar ou não as aulas.
O sexto caso de coronavírus foi confirmado durante a noite de quarta-feira. Trata-se da primeira mulher portuguesa, professora das Escola Básica Roque Gameiro e Escola Secundária da Amadora, que esteve em Itália durante as férias do Carnaval. A mulher deu aulas até ao dia em que foi hospitalizada. Como consequência, 150 alunos de seis turmas estão «em isolamento social» nas suas casas até 13 de Março, somando-se a estes três funcionários e cinco professores que estiveram em contacto com a docente.
Destes primeiros seis casos, quatro tiveram origem em cidadãos provenientes de Itália e de Espanha e dois casos tiveram ligação a pelo menos um dos outros casos confirmados, de acordo com a DGS.
Na manhã de ontem, foram confirmados mais dois casos de coronavírus no Hospital de São João, no Porto: dois homens, entre os 40 e 50 anos. Um deles é trabalhador de uma fábrica de Santo Estevão, em Barrosas, Felgueiras.
Durante a tarde, um nono caso foi confirmado. É um homem, de 42 anos, internado no Hospital Curry Cabral, em Lisboa. Está em situação clínica considerada «estável».
Ainda na quinta-feira foi anunciado que o externato Grão Vasco, em Lisboa, vai encerrar esta sexta-feira como medida preventiva. Localizado na zona de Benfica, é onde o filho da professora infectada estuda.
A situação internacional
O surto de Covid-19, detectado em Dezembro na China, já fez cerca de 3.300 mortos e infectou mais de 95 mil pessoas em 85 países ou territórios, incluindo nove em Portugal. Das pessoas infectadas, mais de 50 mil recuperaram.
Além de 3.012 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas, San Marino, Iraque, Suíça e Espanha.
A Organização Mundial da Saúde declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para «muito elevado».



