Covid-19: Trump transforma briefing diário em «birra presidencial»

Na conferência de imprensa desta segunda-feira, o presidente americano, incomodado com o escrutínio público de que tem sido alvo, atacou os jornalistas e recusou-se a aceitar que não estava a responder correctamente à crise da Covid-19.

Simone Silva

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se visivelmente incomodado com o escrutínio público de que tem sido alvo nos últimos dias, ao transformar o habitual briefing diário, que actualiza os últimos desenvolvimento sobre a pandemia da Covid-19, numa «birra presidencial», de acordo com o ‘The Guardian’.

«Uma criança começou uma birra televisiva ao vivo na segunda-feira à noite. Infelizmente, tem 73 anos, usa uma gravata vermelha e comanda o país mais poderoso do mundo», é assim que o jornal britânico descreve o líder americano e o seu comportamento durante a conferência de imprensa de ontem.

O jornal aponta algumas razões para a atitude de Trump, nomeadamente uma investigação feita pelo ‘New York Times’, que indica que o líder americano «desperdiçou o seu precioso tempo» em Janeiro e Fevereiro sem realizar qualquer acção para combater o novo coronavírus, enquanto que outras figuras do governo se encontravam preocupadas com a chegada da pandemia ao país.

Com mais de 23 mil mortes no país devido ao surto viral, Trump poderia equacionar uma renúncia ao cargo, mas não. Segundo o ‘The Guardian’, o presidente americano «chegou à sala de reuniões determinado a dizer ao mundo que não era o culpado».

Durante o briefing, Trump atacou os jornalistas, criticou o democrata Joe Biden e recusou-se a aceitar que tinha errado. «A história do ‘New York Times’ é uma farsa total, é um jornal falso, que escreve histórias falsas. E um dia, daqui a cinco anos, quando eu já não estiver aqui, espero que todos esses jornais acabem porque ninguém os vai ler», disse Trump.

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Ainda na conferência, o Presidente ordenou que as luzes da sala de reuniões diminuíssem e de seguida transmitiu uma montagem de vídeos que mostravam imagens de médicos a dizer que em Janeiro o coronavírus não representava uma ameaça iminente. Outras imagens revelavam Trump a declarar estado de emergência nacional e ainda governadores democratas a agradecer ao líder americano pela assistência fornecida.

O video foi montado em menos de duas horas por Dan Scavino, director de comunicação da Casa Branca, explicou Trump, dizendo que «poderíamos mostrar centenas de vídeos como este». Quando questionado sobre o porquê da transmissão do vídeo, o Presidente respondeu: «porque estamos a receber notícias falsas e eu gosto de corrigi-las. Tudo o que fizemos foi o correcto», defende.

Trump destacou várias vezes a sua decisão de proibir alguns voos vindos da China no final de Janeiro, antes que houvesse mortes confirmadas pelo vírus nos EUA, apesar de quase 400 mil pessoas terem viajado para os Estados Unidos, vindas da China antes das restrições estarem em vigor.

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O briefing durou mais de horas e foram vários os títulos lançados pelos media americanos para classificar  sucedido: «Trump recusa-se a reconhecer qualquer erro»; «Trump irritado  contraria relatos que dizem que ignorou o coronavírus; «Trump irritado transforma briefing em sessão de propaganda», são alguns exemplos.

Os Estados Unidos contam já com cerca de 23.529 vítimas mortais e mais de 550 mil pacientes infectados como novo coronavírus.

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