Covid-19: Tecnologias usadas no combate à pandemia levantam questões de privacidade

Sistemas de check-in digital, rastreadores de pulseiras e aplicações móveis são apenas alguns exemplos da tecnologia de vigilância implementada por governos a nível mundial.

Simone Silva

A tecnologia permitiu que o mundo respondesse rapidamente à pandemia do novo coronavírus, contudo as soluções usadas, que envolvem a recolha de dados em massa, também levantaram questões sobre os direitos de privacidade dos utilizadores, avança a ‘CNBC’.

Sistemas de check-in digital, rastreadores de pulseiras e aplicações móveis são apenas alguns exemplos da tecnologia de vigilância implementada por governos a nível mundial para monitorizar e rastrear a circulação de pessoas, com o objectivo de conter a propagação do vírus.

Grandes quantidades de dados foram recolhidos para fornecer aos formuladores de políticas informações precisas e eficientes, que ajudassem a gerir os recursos e, em última instância, moldar as políticas sociais e de saúde.

No entanto, embora essas medidas tenham pavimentado o caminho para um rastreio de contactos eficiente, também aproveitam o poder dos dados de formas que podem colocar em risco a privacidade dos indivíduos.

Vários governos têm usado diferentes métodos com muitos graus de eficácia no combate à pandemia. Alguns foram considerados mais controversos do que outros, como é o caso da China que implementou drones, sistemas de inteligência artificial e câmaras de segurança em frente aos apartamentos dos habitantes, para impor quarentenas e monitorizar os espaços públicos.

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Por outro lado, países ocidentais como Alemanha , Itália e Suíça adoptaram abordagens mais cautelosas e não tão invasoras. Os mesmos países europeus também se enquadram no manual do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês), que foi estabelecido em 2016 e apontado pela União Europeia (UE) como um «padrão ouro digital» para protecção de dados e privacidade.

O Comité Europeu para a Protecção de Dados (CEPD)e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) consideram que os governos devem parar com o uso excepcional de dados dos utilizadores quando a pandemia passar.

Esses dados incluem e aplicam-se aos dados de localização de um individuo, que são recolhidos através de chamadas ou aplicações nos seus telemóveis.

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A viabilidade dessa medida depende de um plano cuidadoso da recolha, bem como do processamento de dados do início ao fim, segundo Shahnawaz Backer, consultor de segurança da empresa americana de tecnologia F5 Networks,.

«Por exemplo, se os dados estão a ser recolhidos de forma centralizada e armazenados com criptografia, as empresas podem desactivar a recolha e destruir a chave mestra que permite o acesso à informação em questão», disse Backer, citado pela ‘CNBC’.

O responsável defende ainda que «sempre que possível, os dados devem ser tokenizados para reduzir o impacto da violação». Isto significa que as informações confidenciais, como o número de identificação de uma pessoa, devem ser transformados numa sequência aleatória de caracteres para proteger as informações de eventuais violações.

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