Esta quinta-feira a task-force de testagem reúne-se pela primeira vez para discutir pormenores sobre a estratégia de testes em Portugal. A revelação foi feita na terça-feira, na reunião do Infarmed, por Ricardo Mexia, médico de saúde pública do Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA).
Esta primeira reunião formal da task-force acontece cerca de 44 dias depois de a ministra da saúde, Marta Temido, ter defendido a necessidade de avançar com um programa de testes em massa. Depois de muito se discutir esta matéria, só no dia 28 de março foi formalizada a criação da task force, num despacho publicado em Diário da República.
A coordenação deste grupo de trabalho fica a cargo de Fernando de Almeida, presidente do Instituto Ricardo Jorge (INSA). Ricardo Mexia faz parte do grupo de apoio.
Testagem em massa com critérios «objetivos e claros»
Foi precisamente este especialista que apresentou, na reunião do Infarmed, os objetivos do plano de operacionalização da estratégia de testagem em Portugal, um plano criado recentemente no âmbito de um despacho, publicado na semana passada.
Está previsto no plano: a gestão da reserva estratégica dos testes disponíveis, bem como a criação de um sistema de informação conexo com essa atividade, e ainda uma articulação da comunicação interna e externa, com as diversas entidades, segundo explicou o responsável.
O objetivo «passa pela promoção da testagem massiva e sistemática na população, embora se pretenda que essa testagem seja feita com base em critérios objetivos e claros e que essa ação seja adequada ao contexto em que se insere», revelou Ricardo Mexia na terça-feira.
Testagem em massa vai incluir sem-abrigo, trabalhadores sazonais e migrantes
Além disso, a testagem vai abranger “a prestação dos cuidados de saúde, os transportes públicos e as populações mais vulneráveis”, incluindo “os trabalhadores sazonais, os migrantes e os sem-abrigo, além de outras que venham a ser identificadas”.
Naturalmente, não estão excluídos “os profissionais dos serviços essenciais, como as forças de segurança, os serviços de saúde e os bombeiros, entre outros”.
É também importante existir um sistema de notificação «o mais abrangente possível, com uma forte ligação à capacidade de resposta» e ligado à vigilância epidemiológica. Também a «importância da periodicidade da testagem e o facto de estes critérios serem dinâmicos» foram fatores destacados pelo especialista. Pois significam que «a própria evolução da situação epidemiológica poderá condicionar estas estratégias e a necessidade de realizar mais ou menos testes PCR».
Testes rápidos nas escolas devem fazer-se uma vez por semana
Para já, regra geral, o Governo apenas prevê que seja feito um único teste aos professores e funcionários das escolas, salvo nas regiões com incidência acima dos 120 casos positivos por 100 mil habitantes, onde os testes são repetidos passados 14 dias.
Contudo, o epidemiologista, Manuel Carmo Gomes, sugere que seja aplicado o padrão da realização de testes uma vez por semana. «O que sugeri foi que a testagem devia ser feita em contexto ocupacional. As escolas são um exemplo, como as fábricas, porque são locais que juntam muita gente. O ideal é fazer dois testes rápidos por semana. Se não for possível, pelo menos uma vez por semana. Se forem feitos uma única vez de pouco serve», afirma citado pelo ‘Observador’.
Manuel Carmo Gomes defende ainda que a substituição de testes de antigénio pelos testes PCR não é viável. «Seriam demasiado caros e, por outro lado, os resultados demorariam mais tempo», indica. Uma ideia que também foi sublinhada pelo investigador do INSA, João Paulo Gomes, na reunião de terça-feira, do Infarmed.
Taxa de positividade fixa-se em 1,2%
Ricardo Mexia disse também, na mesma apresentação, que a taxa de positividade de todo os testes realizados no país é atualmente de 1,2%. Contudo, se olharmos apenas para os testes moleculares o mesmo valor aumenta para 2,3% e no caso exclusivo dos testes rápidos reduz para 0,3%.
O responsável alertou para o facto de que «os testes não se substituem uns aos outros», sendo fundamental a existência de uma «complementaridade» entre testes rápidos e PCR. «É fundamental que haja uma manutenção da realização de testes gold standard, os testes por PCR, de forma a ter uma boa perceção das variantes de interesse que possam eventualmente circular», explicou.














