Covid-19: Sistema imunológico neutraliza a Ómicron depois de se expor três vezes ao vírus, aponta estudo

Na pesquisa, publicada na revista científica ‘Nature Medicine’, os investigadores alemães tentaram perceber de que forma é que o sistema imunológico pode ser “educado” para lutar contra a Ómicron e outras variantes, que escapam ao sistema imunológico.

Simone Silva

Cientistas da Ludwig-Maximilians-Universitaet Munich, da Helmholtz Munich e da Universidade Técnica de Munique (Alemanha) mostraram que o sistema imunológico é capaz de neutralizar as variantes do vírus, incluindo a Ómicron, após um total de três exposições à proteína viral spike.

Segundo o ‘El Mundo’, na pesquisa, publicada na revista científica ‘Nature Medicine’, os investigadores alemães tentaram perceber de que forma é que o sistema imunológico pode ser “educado” para lutar contra a Ómicron e outras variantes, que escapam ao sistema imunológico.

De acordo com as descobertas, três exposições à proteína viral spike levam à produção de anticorpos neutralizantes do vírus, não só em grande quantidade, mas também em elevada qualidade.

Esses anticorpos de alta qualidade ligam-se à proteína do pico viral com mais força, sendo capazes de combater efetivamente a variante Ómicron. Isto aplica-se a pessoas vacinadas com reforço, aos recuperados da doença e a quem só tem duas doses da vacina e recuperou da infeção.

Os investigadores identificaram pessoas que contraíram SARS-CoV-2 durante a primeira vaga da pandemia na primavera de 2020 (98 pessoas), comparando-as a um segundo grupo que não tinha sido infetado (73). De seguida, ambos os grupos receberam a vacinação BioNTech/Pfizer e foram acompanhados durante quase dois anos.

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No estudo, a equipa definiu vários parâmetros no sangue dos participantes: a concentração de anticorpos contra a proteína do pico viral, a força de ligação desses anticorpos e sua capacidade de neutralizar a infeção das variantes do SARS-CoV-2 em cultura de células.

A pesquisa revelou que a capacidade do sistema imunológico de neutralizar o vírus acontece após um total de três exposições à proteína viral. “Uma nova descoberta do nosso estudo é que as pessoas precisam de três exposições diferentes à proteína spike para acumular atividade neutralizante de alto nível contra todas as variantes virais, incluindo a Ómicron”, referem os autores.

Pessoas vacinadas com reforço sem uma infeção anterior por SARS-CoV-2 tinham quase o mesmo título e qualidade de anticorpos neutralizantes contra a Ómicron do que as vacinadas que recuperaram da doença ou pessoas que tiveram uma infeção com a varianteDelta.

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“Em todos os casos, a atividade neutralizante atingiu níveis igualmente altos e isso foi acompanhado por um aumento na força de ligação dos anticorpos. A imunidade criada ou aprimorada pela vacinação é a chave para a proteção eficaz contra futuras variantes do vírus”, concluem os autores.

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