Por hora, pelo menos 50 iranianos são infectados pelo novo coronavírus e a cada 10 minutos um acaba mesmo por morrer. Quem o diz é Kianush Jahanpur, porta-voz do Ministério da Saúde da República Islâmica, citado pelo ‘El Confidencial’.
Um estudo da Universidade Tecnológica Sharif, em Teerão, revela que o número de infectados no Irão poderá vir a atingir os 120 mil. Estima ainda cerca de 12 mil vítimas mortais. E isto no «melhor dos cenários». Pelo contrário, se as quarentenas não forem obrigatórias, o sistema de saúde corre o risco de colapsar, com o pico da epidemia a arrastar-se para lá de Maio e o número de mortes a atingir os 3,5 milhões, segundo a mesma investigação.
Contudo, as vítimas mortais podem vir a ficar fora das estatísticas oficiais, uma vez que as autoridades iranianos já admitiram que apenas irão realizar testes de diagnóstico nos casos mais graves. Garantiram também que não irão fazer testes em mortos.
Dados oficiais, divulgados nesta terça-feira, mostram que o Irão regista actualmente 24.811 casos de infecção por Covid-19, um aumento de mais de 1.762 casos nas últimas 24 horas e cerca de 1.934 vítimas mortais, mais 122 mortes nas últimas 24 horas.
No passado 24 de Fevereiro, o Irão registava somente 12 vítimas mortais, segundo dados oficiais. Mais tarde, um deputado da província de Qom, onde o surto teve início no país, viria a contradizer estas informações ao denunciar a existência de 50 mortes devido à Covid-19.
A 2 de Março, o boletim oficial das autoridades de saúde iranianas dava conta de 54 mortes. No entanto, números recolhidos pela “BBC” elevavam o número para mais de 210.
Na semana passada, a 16 de Março, a rádio iraniana “Farda” avançou 1500 mortes por coronavírus, quando as autoridades apontavam para 853 mortes.
Sem quarentena ou testes
Quando a equipa da Organização Mundial de Saúde (OMS) chegou ao Irão, o país tinha apenas 22 laboratórios capazes de fazer análises à Covid-19. Actualmente, há pelo menos 40. Porém, continuam a ser insuficientes, de acordo com testemunhos de profissionais de saúde no Irão ao “Financial Times”. Os casos suspeitos de coronavírus, relatavam, são submetidos a exames de sangue que procuram anticorpos que combatam a infecção, embora por si só não sejam capazes de diagnosticar a doença.
Para combater a propagação do surto, as orações de sexta-feira nas principais cidades do país foram canceladas pela primeira vez desde a Revolução Islâmica de 1979, as escolas fecharam por, pelo menos, duas semanas e 50 mil prisioneiros foram libertados. Em mais de 50 anos, o Irão solicitou um empréstimo ao Fundo Monetário Internacional, no valor de cinco mil milhões de dólares.
Ainda assim, muitas destas medidas estão atrasadas. No início de Março, havia quem dissesse que a quarentena se tratava de uma «medida da Segunda Guerra Mundial», de acordo com médicos citados num relatório do “The New York Times”. E os profissionais eram repreendidos por usar máscaras.
Na cidade sagrada de Qom, local de peregrinação para milhares de pessoas, foram precisas semanas para que as autoridades iranianas começassem a impor medidas. Quando finalmente decidiram fechar os mausoléus, centenas de pessoas revoltaram-se contra as regras e tentaram entrar no local de culto.





