Manter o cumprimento das regras de segurança nos comboios da CP «será praticamente impossível de garantir», quem o diz é Luís Bravo, presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial e Itinerante, citado pelo ‘CM’, referindo-se às novas normas que vigoram a partir desta segunda-feira, nomeadamente a lotação máxima de 2/3 e o uso obrigatório de máscaras.
Nesta segunda-feira na estação do Cais do Sodré, o movimento é maior e as bilheteiras já estão abertas, com funcionários a vender bilhetes. Existem polícias de viseiras e luvas de latex a controlar as entradas. Segundo estes, cerca de 98% das pessoas estão a cumprir as regras de higiene e segurança, usando máscara facial como é obrigatório. Duas pessoas tentaram circular sem máscara, tendo-lhes sido barrada a entrada, segundo o ‘Observador’. O mesmo aconteceu na estação de Sete Rios.
Recorde-se que segundo as regras impostas pela CP, foi reposta 100% da oferta nos serviços onde a adesão é maior, nomeadamente os comboios suburbanos de Lisboa e do Porto e as linhas regionais, para evitar uma sobrecarga, contudo os revisores «estão muito apreensivos», criticando «a falta de estratégia e de directrizes concretas» da empresa, segundo Luís Bravo, que acrescenta ainda: «Sentimos que vamos ser largados para o meio do fogo».
Segundo o responsável o sindicato dos revisores «já tinha pedido à empresa para reforçar as brigadas de fiscalização nas linhas com mais fluxo de passageiros mas a resposta foi negativa». Logo as linhas suburbanas de Sintra, Azambuja, Cascais e do Porto e o serviço regional do Entroncamento, que habitualmente contavam com cinco equipas de seis revisores e dois agentes da PSP antes do Estado de Emergência, continuam sem elas.
Por sua vez, o secretário-geral da FECTRANS, José Manuel Oliveira, detalha ao CM que «os fiscais da CP terão sobretudo uma acção pedagógica, podendo ainda pedir a identificação do passageiro e retê-lo até chegar a PSP», uma vez que não podem multar ou impedir a entrada dos passageiros. «Se durante o estado de emergência já houve situações complicadas de enchentes em Sintra, agora será muito pior. Um revisor que tem de percorrer seis carruagens, nunca conseguirá sozinho controlar os passageiros», alerta.
O Governo tinha ainda um plano B, caso se verificasse uma sobrelotação, contudo acabou por não avançar, segundo o CM. O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, solicitou aos municípios que colocassem autocarros na Linha de Sintra para evitar enchentes nos comboios, outra sugestão sem sucesso, visto que teriam de ser os municípios a suportar a despesa extra com os autocarros.
Nos comboios da CP, a validação de bilhetes mantém-se obrigatória e, para já, os passageiros terão de continuar a accionar o botão da porta das carruagens para poderem entrar ou sair. As estações com maior tráfego, São Bento e Campanhã, no Porto, Cais do Sodré, Santa Apolónia, Rossio e Oriente, em Lisboa, vão disponibilizar, a partir desta segunda-feira, máquinas de venda automática de máscaras, gel desinfectante e luvas, revelou a Infraestruturas de Portugal sem indicar os preços dos produtos. O uso da máscara é obrigatório nos transportes.




