Covid-19. Segunda onda de infeções pode causar um desastre económico ainda pior, alerta especialista

Num ambiente duro de perdas substanciais e de uma quase total paralisação a nível nacional, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos recuou 4,8% no primeiro trimestre, o valor mais baixo desde os piores dias da crise financeira de 2008, o que se deve, parcialmente, a uma queda acentuada de 7,6% no consumo, que representa cerca de dois terços do PIB total, segundo apurou o ‘Bureau of Economic Analysis’.

Embora a maioria dos EUA permaneça fechada, estados como a Geórgia começaram a reabrir a atividade económica a 24 de abril, sob diretrizes estaduais distintas, sendo que mais diferem quanto ao setor que arranca primeiro e na velocidade do processo. Os estados menos impactados, como Iowa, abriram simultaneamente, a 1 de maio, restaurantes, ginásios, shoppings e bibliotecas, numa capacidade máxima de 50%.

“Temos estados diferentes em níveis muito diferentes no surto da covid-19 e com respostas distintas à saúde pública”, aponta Jonathan Parker, professor de finanças do MIT, citado pela ‘CNBC’. Em seu entender, é por isso que “é uma loucura pensar que podemos ligar novamente o interruptor de luz nacional e reabrir a economia no todo, uma vez que estão todos em lugares diferentes”.

Os analistas acreditam ainda que não há garantia de que uma reabertura antecipada possa assegurar uma recuperação económica bem-sucedida. Mesmo que as empresas abram, os consumidores podem não se sentir confiantes. Um estudo recente revelou que mais de dois terços dos americanos ​evitarão ativamente locais públicos até o fim dos bloqueios da pandemia, dando ouvidos a muitos especialistas que publicamente defendem que a possibilidade de uma segunda onda de infeções pode “desligar” a economia mais uma vez.

“Se uma segunda onda de infeções ocorrer incorremos num desastroso PIB com uma alta taxa de desemprego e uma relação dívida / PIB maior que 100% e défices projetados para este ano que já são de 5 mil dólares por cada família americana”, diz para Parker. “Uma segunda onda de infecções seria, acredito, um desastre económico ainda maior do que o atual”.

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