Covid-19. «Se necessário, cortaremos troços»: GNR e PSP intensificam patrulhamento

As autoridades irão realizar operações de intensificação do patrulhamento, acções de sensibilização e fiscalização, em todo o Território Nacional, em estreita articulação, cooperação e colaboração.

Ana Rita Rebelo

A Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Polícia de Segurança Pública (PSP) irão realizar, a partir desta sexta-feira, 3, e até ao próximo dia 8 de Abril, operações de intensificação do patrulhamento, acções de sensibilização e fiscalização, em todo o Território Nacional, em estreita articulação, cooperação e colaboração, com o objectivo de apoiar a população e garantir o cumprimento das normas do Estado de Emergência.

«Em tempos difíceis como os que estamos a viver importa que saibamos estar juntos», começou por salientar o porta-voz da GNR, no arranque de uma conferência conjunta daquela força de segurança e da PSP. «O que aqui estamos a fazer hoje é isso mesmo», reitera.

Do lado da PSP, o porta-voz indica que, durante este período, as forças de segurança irão trabalhar «ainda mais em conjunto» e «em plena cooperação». Haverá troca de informação, operações conjuntas e «estaremos juntos em diversos momentos e locais, inclusivamente nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores», adiantou.

Quanto ao decreto do Estado de Emergência, que entrou em vigor à meia-noite desta sexta-feira, dia 3 de Abril, a GNR disse que «não houve grandes diferenças» em relação ao anterior. A única diferença significativa diz respeito ao período da Páscoa. O Executivo, recorde-se, aprovou uma medida que determina que, durante cinco dias, entre a meia-noite de 9 de Abril e a meia-noite de 13 de Abril, as pessoas não possam fazer deslocações para fora do concelho da sua residência.

Mesmo que a família viva no mesmo concelho, nesta renovação do Estado de Emergência continua a aplicar-se o dever de recolhimento domiciliário. Ou seja, os cidadãos devem evitar sair além do necessário: ir às compras de alimentos, à farmácia ou, se for caso disso, trabalhar (desde que se faça acompanhar por uma declaração da entidade patronal).

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A PSP acrescenta que as forças de segurança irão estar «particularmente atentas» às aglomerações que, segundo o diploma, não podem exceder um máximo de cinco pessoas, uma vez que «podem potenciar situações de contágio na via pública».

Quanto à operação «Recolhimento Geral» da GNR, que vai ter início hoje mesmo ao meio-dia, o porta-voz explica que irá ser feita «uma fiscalização mais apertada nas vias rodoviárias principais do país. Vamos envolver todo o efectivo territorial, com reforço das unidades de reserva e neste período vamos estar no terreno a verificar se todo o cidadão está a cumprir com tudo o que está previsto na lei».

«Vamos exercer um esforço principal nas vias principais, mas isto não significa que não estejamos nas outras», vincou, sublinhando que irá existir «um grande empenhamento para que seja possível ter a certeza que as regras estão a ser cumpridas».

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Lembrando que, no passado fim-de-semana, foi levada a cabo uma operação semelhante, o porta-voz da GNR realçou que «os resultados provaram que a esmagadora maioria dos cidadãos portugueses estão a cumprir» os seus deveres.

«Os eixos principais que nos preocupam», continuou, são «todos aqueles que levem ao Interior Norte e Centro do país, ao Algarve, a todas as vias nas localidades mais importantes e ainda nos locais propensos a aglomerações». E «é óbvio que esta acção irá ter continuidade», porque «vamos iniciar uma outra operação».

O porta-voz da PSP reafirmou, dizendo que aquela força de segurança privilegiará «a verificação dos grandes centros urbanos, de aglomerações de pessoas, do cumprimento das medidas de confinamento e protecção especial e também de isolamento social em termos domiciliários».

A PSP faz ainda notar que irá ter atenção especial às situações de violência doméstica». «Estamos a desenvolver um esforço particular junto das situações que foram identificadas como sendo de maior risco. Faremos uma monitorização especifica para garantir que não há agravamento de situações de risco», assegurou.

Garantindo que irão ser «rigorosos», as duas forças de segurança apelaram aos portugueses: «Sejam responsáveis. Fiquem em casa».

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«Estes tempos que vivemos são tempos duros, mas são tempos em que aquilo que é o comportamento individual é o mais importante. Somos uma sociedade e fomos sempre capazes de vencer e superar as dificuldades. Este é, sem dúvida, um grande desafio, que exige de cada um o saber estar e ter um comportamento muito responsável», conclui o porta-voz da GNR.

«Se necessário, cortaremos troços», avisou a PSP. Ainda assim, «permitiremos a circulação dos transportes públicos de transporte de mercadorias», disse.

«Todos juntos somos mais fortes», reiteram as forças de segurança.

Portugal regista, neste momento, 209 vítimas mortais e 9.034 casos confirmados de infecção por Covid-19, segundo dados do boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado nesta quinta-feira.

O Parlamento aprovou esta quinta-feira o decreto presidencial de renovação do Estado de Emergência, devido à pandemia de Covid-19. O (renovado) Estado de Emergência entrou em vigor à meia-noite de 3 de Abril, pelo período de 15 dias previstos na Constituição, que termina às 23:59 dia 17.

*Notícia actualizada às 11:30 

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