A Rússia espera conseguir estabelecer um acordo com a farmacêutica AstraZeneca para produzir uma vacina contra a Covid-19, que está a ser desenvolvida em conjunto com a Universidade de Oxford, de acordo com a agência ‘Reuters’.
A revelação foi feita pelo director do Fundo de Investimento Russo, Kirilli Dmitriev, numa entrevista concedida, esta sexta-feira, na sequência das acusações por parte do Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, de que hackers a mando da Rússia teriam tentado roubar dados de uma vacina contra a doença viral, a farmacêuticas e instituições académicas a nível mundial.
O Kremlin já veio negar todas as acusações de que a Rússia foi alvo e Dmitriev aproveitou a mesma entrevista para reforçar que o país nada teve que ver com o sucedido. Segundo o responsável, as alegações são falsas, pois Moscovo não tem necessidade de roubar nenhuma informação, visto que já tem em vista um acordo com a Astra Zeneca para produzir a vacina britânica na Rússia.
«Não há nada que precise de ser roubado», disse o responsável citado pela ‘Reuters’. «Tudo será entregue de forma legitima à Rússia», acrescentou, adiantando também que o acordo pode ser oficialmente anunciado ainda esta sexta-feira.
Recorde-se que o Centro Nacional de Segurança Cibernética (NCSC) do Reino Unido disse na quinta-feira que hackers apoiados pelo estado russo tentaram roubar vacinas contra a Covid-19, que faziam parte de estudos de de instituições académicas e farmacêuticas de todo o mundo. Contudo a Rússia rejeitou as alegações de Londres.
O Centro Nacional de Cibersegurança britânico (NCSC), em coordenação com autoridades dos EUA e Canadá, alega que os piratas informáticos APT29, também conhecidos como «the Dukes» ou «Cozy Bear», é um «grupo de ciberespionagem, quase de certeza parte dos serviços de informações russos».
«A campanha de actividades maliciosas do APT29 continua, predominantemente contra alvos governamentais, diplomáticos, organizações de investigação, de saúde e de energia para roubar propriedade intelectual valiosa», refere um comunicado.
O grupo usa uma variedade de ferramentas e técnicas, incluindo ‘spear-phishing’ e ‘malware’ personalizado conhecido como «WellMess» e «WellMail».
O director de operações do NCSC, Paul Chichester, disse estar a trabalhar com os EUA e o Canadá para proteger o sector da saúde, que é uma prioridade na actual pandemia.
O grupo «Cozy Bear» foi identificado por Washington como um dos dois grupos de piratas ligados ao governo russo que invadiram a rede de computadores da Comissão Nacional Democrata e roubaram correios eletrónicos antes das eleições presidenciais de 2016.
O outro grupo é geralmente apelidado de «Fancy Bear».
As autoridades norte-americanas lançaram acusações semelhantes contra a China há um mês, reiteradas na semana passada pelo director do FBI, Chris Wray.





