Tiago Correia, especialista em Saúde Pública do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, alertou para o facto de que a fase de endemia, na qual Portugal estará a entrar, não significa que o coronavírus “passou” ou “deixou de ter importância”.
“O rótulo de endemia, infelizmente, no espaço público foi associado a uma não gravidade do vírus. Isso é um erro”, afirmou em declarações à ‘SIC Notícias’, adiantando que há vírus endémicos “gravíssimos e mortais”, como o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) e a malária.
Segundo o responsável, o vírus endémico pode ser grave ou não. Sobre o coronavírus “não sabemos se será grave, para quem será e quando será”, por isso “implica a monitorização e vigilância”, sublinhou.
Sobre o alívio de medidas que hoje deve ser decidido em Conselho de Mistros, Tiago Correia referiu que a proteção da vacinação contra a covid-19 é que justifica este levantamento.
Ainda assim, segundo o especialista, seria precipitado retirar todas as medidas “numa altura em que os óbitos ainda estão muito elevados”, sendo esse também um indicador a ter em conta no levantamento de restrições.
Para Tiago Correia devem ser mantidas as máscaras em espaços fechados e testagem em contexto de população mais vulnerável, à semelhança do que ontem foi sugerido na reunião do Infarmed.
Quanto à vacinação, ainda “há muitas dúvidas em cima da mesa”, reiterou o responsável. “Não sabemos quando devemos reforçar as doses de vacinas nem para que grupos. Vamos entrar na discussão se jovens devem ter reforço ou não”, concluiu.



