Covid-19. Restrições da pandemia estão a criar ‘bomba-relógio’ no transporte marítimo

O mar pode vir a ser palco de “situações limite” se não for agilizada a rotatividade das tripulações.

Sónia Bexiga

Pode haver “acidentes terríveis” no mar se as mudanças da tripulação continuarem sendo bloqueadas por restrições de coronavírus, disse Esben Poulsson, da Câmara Internacional de Navegação.

Devido a restrições de viagens impostas pelo governo, os vôos para os marítimos voltarem para casa ou para os portos não estão disponíveis, enquanto os protocolos de imigração e exames de saúde também estão impedindo as mudanças de tripulação.

Poulsson disse que o Japão, Hong Kong e Cingapura permitiram mudanças de tripulação “caso a base” e em “certas circunstâncias”, mas outras jurisdições precisam “seguir o mesmo caminho”.

“Sem querer soar excessivamente dramático, pensamos que este é potencialmente uma ‘bomba relógio”, disse, acrescentando que estão a trabalhar com a IATA  para encontrar várias formas de resolver este problema, mas precisamos que os governos ajam, e que seja agora”, acrescentou.

“Podem estar iminentes situações terríveis no mar se as mudanças das tripulações continuarem a ser bloqueadas pelas restrições da pandemia do novo coronavírus, alerta Esben Poulsson, presdidente da Câmara Internacional de Navegação (ICS), em declarações à CNBC.

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Neste momento, estão no mar 1,2 milhão tripulantes no mar e cerca de 100 mil costumam deixar os navios todos os meses para cumprir os regulamentos marítimos internacionais que protegem a sua saúde, segurança e bem-estar, de acordo com uma declaração conjunta da ICS e da International Air Transport Association.

No entanto, essas mudanças de equipa têm sido afetadas pela pandemia. “A questão dos profissionais do setor é que o seu bem-estar é crucial, e se este problema for prolongado por muito tempo, vamos alcançar níveis de stress e problemas de saúde bem diferentes e, eventualmente, poderão ocorrer alguns episódios complicados”, reforçou Esben Poulsson.

Um dos aspetos que está a agravar este cenário, é o facto das restrições às viagens estarem a impedir que estes trabalhadores regressem depois aos seus destinos. Assim como, em nada facilitam os protocolos de imigração e de triagem de saúde que pressionam na hora de concretizar as  “mudanças de tripulação extremamente necessárias”, disse.

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“Alguns funcionários que atravessam fronteiras internacionais para prestar o seu serviço estão a ser afetados por restrições nacionais projetadas para passageiros e pessoal não essencial e que podem comprometer desnecessariamente a capacidade das companhias aéreas e das companhias de navegação de manter as cadeias de fornecimento globais em operação”, reforçou Poulsson.

As duas associações comerciais perdem agora aos governos que facilitem as trocas de tripulação de navios, com a IATA oferecer a ajuda das companhias aéreas para transportar trabalhadores marítimos de e para aeroportos designados, para que possam voltar para casa ou substituir outros membros da tripulação.

 

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