Um responsável da Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês), confirmou esta terça-feira que existe uma ligação entre a vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca e a formação de tromboses e coágulos sanguíneos.
Marco Cavaleri, diretor da estratégia de vacinas do regulador europeu, referiu ao jornal italiano ”Il messagero’ que “agora podemos dizer claramente que há uma ligação [das tromboses] com a vacina”.
O responsável sublinhou no entanto que “ainda não se sabe o que provoca essa reação”. Nas próximas horas diremos que ‘há uma ligação, mas ainda temos que entender como isso acontece”, acrescentou.
Especialistas da EMA estiveram reunidos esta segunda-feira para finalizar a sua avaliação de casos raros de coagulação do sangue e a sua possível relação com a vacina para a covid-19 da AstraZeneca, cujo uso está suspenso em alguns países europeus para pessoas com menos de 60 anos anos.
O Comité de Avaliação de Risco de Farmacovigilância (PRAC), responsável por monitorizar e avaliar a segurança dos medicamentos para uso humano autorizados pela EMA, tem ainda reuniões agendadas esta semana mas espera-se que reporte a sua avaliação a qualquer momento.
Na sua última reunião, quarta-feira passada, o PRAC não descartou a relação causa-efeito, mas também não encontrou evidências claras de uma ligação entre a AstraZeneca e o desenvolvimento de coágulos sanguíneos com baixo número de plaquetas, pelo que a EMA continuou a considerar que os benefícios desta vacina contra a covid-19 continuam a superar qualquer risco devido a efeitos secundários.
Além da investigação dentro do PRAC, a EMA convocou no dia 29 de março uma reunião de especialistas externos independentes de diversas especialidades médicas, incluindo hematologistas, neurologistas e epidemiologistas, que discutiram aspetos específicos dos casos detetados, procurando identificar fatores de risco e dados adicionais para caracterizar eventos de tromboembolismo observados.
Esta revisão, que também fará parte do relatório final do PRAC, também não conseguiu identificar um fator de risco específico, como idade, sexo ou um histórico médico anterior de distúrbios de coagulação do sangue que podem explicar esses casos raros de tromboembolismo pós-vacinação, mas por acreditar que poderia haver risco, optou-se por prosseguir com a análise.
“As pessoas vacinadas devem estar cientes da possibilidade remota desses tipos muito raros de coágulos sanguíneos. Se apresentarem sintomas que sugiram problemas de coagulação conforme descritos nas informações do produto, devem procurar atendimento médico imediato e informar os profissionais de saúde sobre a sua vacinação recente”, sublinhou a EMA, em avaliação completa.
A agência está a analisar todos os casos suspeitos de coágulos sanguíneos incomuns que foram notificados pelas autoridades nacionais em cada país europeu nas últimas semanas, desde que a Áustria deu o alarme no início de março, depois de uma pessoa ter sido diagnosticada com trombose e ter falecido dez dias depois, tendo recebido previamente uma injeção desta vacina.














