Covid-19: Relaxar o isolamento nas escolas foi “um erro crasso a somar a outros”, aponta relatório

Análise do Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade de Lisboa aponta que medida foi tomada “sem fundamentação epidemiológica”

Francisco Laranjeira

Um relatório do Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade de Lisboa foi muito crítico para com a decisão do Governo de relaxamento dos isolamentos nas escolas, que terá sido “tomada sem fundamentação epidemiológica”. Numa altura em que Portugal tem mais de um milhão de pessoas em isolamento – por contágio ou contacto de risco com um infetado – e as escolas continuam a somar novos surtos todos os dias, o mais recente relatório apontou a medida como “um erro crasso a somar a outros”.

Segundo o ‘Situação dos Indicadores de Risco em Portugal’, conduzido pelo grupo de trabalho de acompanhamento da pandemia da Covid-19 em Portugal -2022 do IST e pela Ordem dos Médicos, a medida foi “tomada sem fundamentação epidemiológica, sem base em modelos, e sem avaliação do real impacto”. Recorde-se que, com esta medida, as crianças que entrem em contacto com um caso positivo não ficam em isolamento.

A medida em causa, segundo os especialistas, “provocou um número de isolados muito superior ao que seria expectável com as regras anteriores devido à expansão de contágios que provocou, sendo inútil (contrária) na redução de isolamentos e tendo um impacto muito severo na população em geral”. Foi ainda referido que o relaxamento do isolamento em escolas “corresponde a um erro de avaliação dos impactos futuros”, tendo sido descrito como “precipitada e laxista, que levou ao resultado contrário ao pretendido”, dando como exemplo o Natal de 2020.

Atualmente, Portugal é dos países com mais novos casos por dia e, só nos últimos sete dias, 54.683 crianças com idades entre os 0 e os 9 anos foram infetadas. Desde 17 de janeiro, uma semana após o regresso às aulas, a média de infeções diárias entre esta faixa etária ultrapassou a barreira das 7.800 infeções. Ao todo, ficaram infetadas mais de 100 mil crianças e jovens desde que as escolas reabriram no início do ano.

Com uma estimativa de 1.050.000 isolados para o dia 30 de Janeiro, os especialistas dizem que esta medida imposta nas escolas “terá impacto direto, por exemplo, na participação eleitoral”. Também o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) tinha associado a mudança nas regras das escolas como um dos fatores para a subida de novos casos que se verifica em janeiro e que tem vindo a bater recordes. De acordo com o mesmo relatório, estima-se que o pico de incidência de novos casos aconteça entre o início e 12 de fevereiro.

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