Estavam previstas para 2020 uma série de cimeiras, que culminavam com uma visita do presidente chinês, Xi Jinping, à Alemanha no outono, marcando uma nova fase diplomática entre a Europa e a China. Contudo, o novo coronavírus fez com que tudo fosse adiado e os europeus alertam para uma crescente ruptura entre as duas partes, alegando uma má administração da pandemia, por parte do país asiático, de acordo com o ‘elEconomista’.
Alguns diplomatas falam numa raiva crescente contra o comportamento da China nas últimas semanas, incluindo acusações de aumento de preços de equipamentos médicos, por parte de fornecedores chineses e «falta de tacto» nas consequências que as suas acções têm no exterior. Segundo o jornal espanhol, a forma como Pequim tem gerido a pandemia, tem feito diminuir a confiança dos europeus, numa altura em que o país devia ter provado a sua liderança global.
«Durante estes meses, a China perdeu a Europa», disse Reinhard Buetikofer, deputado do Partido Verde alemão que preside a delegação do Parlamento Europeu para as relações com o país asiático. Buetikofer apontou preocupações que vão desde as suspeitas da China de «esconder a verdade» na fase inicial da pandemia, até à postura «extremamente agressiva» do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Pequim.
O responsável acredita que não há um único ato responsável pela ruptura, «é a presença constante de uma atitude que não indicia uma vontade de criar relações, mas antes de dizer às pessoas o que devem fazer», refere.
Embora o governo de Trump já tenha retomado os seus ataques à China, as autoridades europeias estão menos dispostas a críticas, também por medo de uma retaliação. O facto de os políticos de Berlim, Paris, Londres e Bruxelas expressarem sua preocupação com a posição de Pequim na Covid-19 sugere um ressentimento mais profundo, com consequências a longo prazo, avança o jornal.
Alguns membros da União Europeia já estão a implementar políticas para reduzir a sua dependência da China e manter possíveis investimentos sob controlo, medidas defensivas que correm o risco de prejudicar o comércio entre a China e a UE, que atingiu um valor de quase 700 mil milhões de euros, no ano passado.
Esta situação representa uma mudança relativamente há algumas semanas, quando a China deixou para trás a situação trágica que viveu com a pandemia, oferecendo cursos online sobre as melhores formas de combater o vírus, aprendidas no sítio onde o mesmo surgiu.
Para além disso a China enviou produtos médicos, incluindo equipamentos de protecção individual, kits de teste e respiradores para os países mais afectados da Europa, numa demonstração de ajuda que contrastava com a ausência internacional dos Estados Unidos.
A pandemia ofereceu uma oportunidade de solidariedade mútua, que ao que parece não durou muito. «A atmosfera na Europa agora é bastante tóxica quando se trata da China», disse Joerg Wuttke, presidente da Câmara de Comércio da UE no país asiático.














