Covid-19: receitas da Pfizer colocam-na no 66º posto do ranking mundial do PIB dos países, denunciam ativistas

Vacinas terão sido vendidas com uma margem de lucro de 299%

Francisco Laranjeira

Diversos ativistas da ‘Global Justice Now’ teceram duras críticas à farmacêutica Pfizer do que consideram ter sido um roubo “dos sistemas de saúde pública”, depois da empresa ter anunciado receitas superiores ao PIB (Produto Interno Bruto) da maioria dos países mundiais – a receita anual da farmacêutica coloca-a no 66º posto dos PIB mundiais.

Segundo os ativistas, a receita anual da Pfizer duplicou para 70,81 mil milhões de euros, um valor superior ao PIB da maioria dos países, segundo dados do Banco Mundial de 2017. Ficaria colocado no 66º posto, à frente de países como a Etiópia, Quénia, Gana, Guatemala, Omã, Bulgária ou Luxemburgo, entre outros. Em comparação, Portugal, no 46º lugar, está a 120,9 mil milhões de euros de distância.

As receitas extraordinárias da Pfizer são impulsionadas, em grande parte, pela vacina, que foi desenvolvida pela primeira vez pela pequena empresa alemã BioNTech, com 100 milhões de euros de financiamento de dívida do Banco Europeu de Investimento de propriedade pública e uma doação de 375 milhões de euros do Governo alemão.

A Pfizer cobrou ao National Health Service (NHS) do Reino Unido cerca de 3,35 mil milhões de euros acima do custo de produção pelas 189 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 que o Reino Unido adquiriu. A farmacêutica garantiu que uma dose sem fins lucrativos da sua vacina custa 5,91 euros para produzir mas cobrou à Grã-Bretanha 21,37 euros por dose pelo primeiro ‘pack’ de 100 milhões de vacinas e 26,11 pelos restantes 89 milhões, num total de 4,46 mil milhões de euros – uma margem de lucro de 299%. No entanto, há especialistas que afirmam que o verdadeiro preço de custo seja ainda menor.

“O desenvolvimento de vacinas de mRNA deveria ter revolucionado a resposta global à Covid-19. Mas deixámos a Pfizer reter essa inovação médica essencial de grande parte do mundo, ao mesmo tempo em que roubamos os sistemas de saúde pública com uma margem de lucro de dar água nos olhos”, denunciou Tim Bierley, ativista farmacêutico da ‘Global Justice Now’.

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“No momento, existem milhares de milhões de pessoas sem aceso às vacinas ou tratamentos contra a Covid-19. Muitos estão em países com as instalações necessárias para fabricar vacinas de mRNA, mas a guarda zelosa da patente da Pfizer está no caminho. E estamos a ver milhares de mortes evitáveis ​​todos os dias como resultado”, apontou.

“A Pfizer é agora mais rica do que a maioria dos países; ganhou dinheiro mais do que suficiente com esta crise. É hora de suspender a propriedade intelectual e quebrar os monopólios das vacinas”, finalizou.

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