Covid-19: Raquel Duarte, conselheira do Governo, defende regresso da “testagem comparticipada nas farmácias”

A pneumologista que lidera a equipa de peritos que aconselha o Governo sobre a pandemia de Covid-19, considera que deveria regressar a testagem gratuita nas farmácias, prolongando-se “nos próximos tempos”. 

Revista de Imprensa

Raquel Duarte, a pneumologista que lidera a equipa de peritos que aconselha o Governo sobre a pandemia de Covid-19, considera que deveria regressar a testagem gratuita nas farmácias, prolongando-se “nos próximos tempos”.

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Em entrevista ao ‘Público’, a propósito da publicação do livro “Covid-19 em Portugal: a estratégia”, da autoria do grupo de trabalho, a responsável falou sobre este assunto.

“A positividade aumenta, mas o número de pessoas que fazem o teste diminuiu. Quem nesta altura faz os testes são as pessoas sintomáticas e/ou que tiveram uma exposição recente”, começa por referir.

Desta forma, acrescenta, “a probabilidade de uma pessoa que faz o teste estar positiva é alta. E com isso, estamos a perder a noção do que está a acontecer na comunidade”.

“Eu acho que devíamos continuar a testar. Devia-se manter a testagem comparticipada nas farmácias nos próximos tempos. Devia ser fácil as pessoas fazerem o teste”, defende.

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Recorde-se que a gratuitidade de dois testes por mês nas farmácias e laboratórios acabou a 1 de Maio.

Já sobre o uso de máscara, Raquel Duarte sublinha que “quando se diz que a máscara não é obrigatória, não quer dizer que ela não seja considerada útil como uma medida de proteção quando as pessoas estão em contexto de risco, nomeadamente em grandes aglomerações e em lugares mais fechados”. 

Questionada sobre quando será possível atingir o referencial europeu de 20 mortes por milhão de habitantes numa média a 14 dias, a especialista não arrisca uma data, “porque tudo isto vai depender do comportamento da população”.

“Agora tivemos uma altura da Queima das Fitas, daqui a pouco vamos ter os festejos populares e os festivais de Verão. Tudo vai depender das interações das pessoas”, considera.

Também o facto de “vir aí o bom tempo e a maior parte das interações ser ao ar livre, terá algum impacto, claro. Mas o vírus vai transmitir-se tendo em conta a forma como nós nos comportamos”, sublinha.

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E o cenário de “verão descontraído” está assim tão longe? Raquel Duarte adianta que “as pessoas estão cansadas. Mas os nossos próximos tempos vão mesmo depender dos nossos comportamentos, da forma como nós vivemos”, insiste.

“Estamos numa altura em que as pessoas têm de ser responsáveis por aquilo que fazem, temos de apostar na responsabilização individual. Em alguns sítios, nas situações de maior risco, as medidas têm de ser obrigatórias, como nos estabelecimentos de saúde ou nos lares. Mas no quotidiano é preciso dizer que as pessoas têm de ser responsáveis”, conclui.

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