A crise provocada pela Covid-19 pode vir a prejudicar a capacidade de alimentação de animais. Ou seja, a disponibilidade de proteína animal nos pratos dos portugueses pode ficar comprometida, avisam os fabricantes de rações para animais. E, em parte, isso deve-se ao facto de estarmos a consumir menos gasóleo, noticia o “Expresso”:
Segundo o semanário, a contracção económica provocou uma forte quebra no consumo de combustíveis, cerca de 50% em termos homólogos, de acordo com as petrolíferas. O problema? Com menos gasóleo no mercado nacional, também baixou ainda mais o volume de incorporação de biocombustível. «A opção da maior parte dos comercializadores de combustíveis tem sido usar títulos de biocombustível. E têm feito muito poucas encomendas aos produtores de biocombustível», revelou ao “Expresso” o secretário-geral da Associação Portuguesa de Produtores de Biocombustíveis, Jaime Braga, acrescentando que «se não houver extracção não há farinhas e não há abastecimento normal ao mercado das farinhas para animais».
O “Expresso” escreve que a incapacidade de escoar biocombustível deixou as poucas fábricas que o produzem em Portugal com o stock no limite da capacidade e sem capacidade para armazenar mais também não podem continuar a produzir. Resumindo: sem produção de biocombustível não há produção de farinha para as rações para animais. Essa farinha é o que sobra do esmagamento das matérias-primas usadas para extrair o óleo, como soja e colza.
Ao “Expresso, o presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares, Jorge Henriques, disse que «esse tema, embora não fosse central, foi discutido» na quarta-feira, quando o Ministério da Agricultura tomou conhecimento da preocupação dos industriais das rações, numa reunião (por videoconferência) do grupo de acompanhamento sobre o abastecimento de bens alimentares. «Há razões para alguma preocupação se a capacidade de extracção de óleo para farinhas puder ser comprometida», sublinhou.
Porém, garantiu que, «até ao momento não há ruptura do abastecimento de matérias-primas para o mercado agroalimentar. Alguns consumos de produtos estão a baixar, mas o sector está a funcionar, apesar das dificuldades, dos aumentos de preços e de alguns constrangimentos».
Quanto ao abastecimento de farinhas para animais, várias fontes ouvidas pelo jornal acreditam que a solução pode passar pela intervenção do secretário de Estado da Energia, João Galamba, nomeadamente determinando de forma temporária a obrigação de incorporação física de biocombustível no gasóleo e suspendendo a possibilidade de as petrolíferas utilizarem os títulos de biocombustível.
Fonte oficial do Ministério da Agricultura admitiu que «as extractoras de sementes têm quantidades substanciais destes óleos armazenados, não necessitando de continuar a produzir, ou seja, não gerando os coprodutos necessários à produção de alimentos compostos para animais». E reforçou: «Embora, neste momento, a produção de alimentos para animais esteja a acontecer com normalidade, esta é uma questão concreta que estamos a acompanhar e a monitorizar».
«É necessário encontrar condições para que as empresas extractoras possam armazenar os produtos que já têm em stock, criando-lhes, também, condições para que continuem a produzir e, assim, a gerar os coprodutos necessários para a alimentação animal. A criação destas condições está a ser estudada e articulada com outras áreas governativas»,explicou ainda a tutela.














