Covid-19: Quatro razões para não se entusiasmar com a vacina da Rússia

«É altamente improvável» que a vacina SARS-CoV-2 da Rússia ajude a proteger a população, em larga escala, visto que o país divulgou poucos dados científicos sobre o fármaco e não realizou os testes de fase 3.

Simone Silva

O Ministério da Saúde da Rússia aprovou esta terça-feira a primeira vacina contra a Covid-19 no mundo, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Moscovo. Contudo, um artigo da ‘Fast Company’ enumera quatro razões pelas quais não deve ficar entusiasmado com a inovação.

1. A vacina russa nunca realizou testes de fase 3. Os ensaios clínicos de fase 3 são o estágio mais importante de teste para quaisquer medicamentos ou vacinas. Nesta fase, grandes grupos de pessoas (dezenas de milhares) recebem a vacina, e os grupos são analisados durante meses ou até anos para determinar se o fármaco é, de facto, eficaz, perigoso ou ambos.

2. Putin precisa de uma vitória política urgente. O presidente russo viu o seu índice de aprovação cair para níveis históricos no país. Ser o presidente do país que desenvolve a primeira vacina do mundo contra o flagelo da humanidade é uma óptima forma de aumentar esses números. A vacina tem o nome de Sputnik-V, uma homenagem à corrida espacial de 1950, que ajudou a impulsionar o patriotismo russo.

3. A Rússia não divulgou dados de segurança sobre a vacina. De acordo com a CNN, a Rússia não divulgou nenhum dado científico sobre a segurança da vacina. Putin afirma que uma das suas filhas já tomou e que se «sente bem». Mas as vacinas e outros medicamentos que não são devidamente testados podem ter efeitos importantes para a saúde no futuro. É por isso que os testes de Fase 3 são tão cruciais, pois ajudam a determinar se uma vacina ou medicamento é seguro.

4. Mesmo que funcione, não há dados sobre a sua eficácia. É verdade que a vacina da Rússia pode realmente proteger algumas pessoas infectadas. No entanto, não sabemos qual é o nível de eficácia da sua vacina. Um governo pode alegar que tem uma «vacina» mesmo que a sua avaliação de eficácia seja de apenas 2%, mas não será de muita ajuda para proteger as pessoas se a avaliação de eficácia for tão baixa. Nos EUA, é provável que qualquer vacina SARS-CoV-2 que não tenha uma avaliação de eficácia de pelo menos 50% não entre em produção.

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Desta forma, o artigo conclui com a ideia de que «é altamente improvável» que a vacina SARS-CoV-2 da Rússia ajude a proteger a população, em larga escala, visto que o país divulgou poucos dados científicos sobre o fármaco e não realizou os testes de fase 3. Por isso, o melhor mesmo, é «não ter muita esperança».

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