COVID-19: Quando e como vai acabar a pandemia? Especialistas apontam dois caminhos

São já mais de 1,2 milhões os casos confirmados de infecção por COVID-19 em todo o Mundo. Ao mesmo tempo, o número de países em quarentena também aumenta na esperança de travar, ou pelo menos abrandar, a propagação do vírus que teve origem na China há cerca de quatro meses.

Segundo a Bloomberg, a pergunta que não quer calar é: quando chegará ao fim a pandemia? A que se junta uma outra questão relacionada com a forma como será possível pôr termo ao problema. A resposta, porém, não é simples, uma vez que depende em grande parte de informações sobre o vírus que ainda não são conhecidas. É preciso saber, por exemplo, se é possível voltar a ficar infectado depois de se ter recuperado.

O fim da pandemia também depende do tempo que for necessário para encontrar uma vacina que funcione, algo que ainda poderá demorar um ano. Fora do âmbito da saúde, há ainda outros aspectos a considerar, nomeadamente os custos e benefícios de uma quarentena prolongada para cada país: quanto tempo consegue determinada nação ficar fechada em casa?

A Bloomberg tentou esclarecer algumas destas dúvidas junto de especialistas, tendo chegado à conclusão, por exemplo, de que existem dois caminhos em direcção ao fim da pandemia.

Como é que a pandemia acaba?

Existe um consenso, diz a Bloomberg, relativamente à ideia de que a pandemia apenas terminará quando for estabelecida a chamada imunidade de grupo – que acontece quando um número suficiente de pessoas adquire protecção para um determinado agente patogénico. Para chegar a esse tipo de imunidade, existem dois caminhos. Um deles passa pelo desenvolvimento de uma vacina, o outro pela aquisição de resistência ao vírus através da infecção (opção que era sugerida por Boris Johnson no Reino Unido na fase inicial do surto no país).

O que fazemos até lá?

Até que a imunidade de grupo seja atingida e que a pandemia chegue ao fim, a Bloomberg aponta ao confinamento de modo a desacelerar a propagação do vírus e achatar a curva. É preciso fechar negócios e escolas, banir qualquer tipo de ajuntamento e manter as pessoas em casa. Só desta forma será possível garantir que os hospitais são capazes de dar resposta aos casos mais graves que cheguem, diminuindo o número de mortes.

Este abrandamento oferece também às autoridades o tempo de que precisam para reforçar a capacidade de realizar e analisar testes, descobrir e vigiar todas as pessoas que tenham estado em contacto com infectados, expandir unidades hospitalares e comprar os ventiladores necessários, entre outros.

Quando poderemos tornar as restrições menos rígidas?

Em Portugal, o estado de emergência foi prolongado por mais 15 dias, fazendo com que os cidadãos fiquem em casa durante pelo menos um mês. No geral, as pessoas não devem esperar que as suas vidas regressem ao normal rapidamente. Suspender demasiado cedo as restrições e limitações que têm sido impostas representam um risco para todo o trabalho que tem sido feito até agora e para os bons resultados que já tenham sido conquistados.

No caso da China, as autoridades autorizaram a reabertura da cidade de Wuhan, onde tudo começou, cerca de dois meses depois de terem implementado a quarentena. Mas as medidas tomadas na China, alerta a Bloomberg, foram mais rígidas do que noutros países.

E depois?

Assim que os cidadãos puderem regressar às suas rotinas, deverão existir ainda assim alguns cuidados. As escolas e os negócios poderão voltar a abrir, por exemplo, mas eventos com muitas pessoas deverão continuar a ser limitados. Na mesma medida, a população será encorajada a manter a distância de segurança e os grupos de risco devem minimizar o tempo em público. Estas são as recomendações de um grupo de especialistas norte-americanos, em que se inclui o antigo comissário da Food and Drug Administration (FDA).

Trata-se, contudo, de um modelo mais optimista do que aquele apontado pela Imperial College London. Neste caso, sugere-se que durante pelo menos dois terços do tempo, até que a comunidade de grupo seja estabelecida, todos os agregados deverão ter contacto reduzido com escolas, locais de trabalho ou públicos.

Por que razão é tão importante testar?

A Bloomberg sublinha que os estragos provocados pelo novo coronavírus não são tanto devido à sua taxa de mortalidade, mas devido ao facto de ser traiçoeiro. Muitas pessoas estão infectadas sem saberem e poderão recuperar sem nunca ter dado conta. É por isso que é tão crucial testar para saber exactamente quem são as pessoas infectadas.

Desta forma, poderão ficar em isolamento para evitar o contágio e todas as pessoas com quem contactaram poderão ser monitorizadas.

Porque é que o sítio onde estamos é importante?

Países mais autoritários como a China podem impor regras mais rígidas em termos de deslocações, por exemplo, bem como implementar métodos de vigilância mais intrusivos. Embora possam ser olhados com suspeita, estes métodos permitem controlar melhor a propagação do vírus. No entanto, não seriam aprovados e colocados em prática por outras nações, nomeadamente mais a Ocidente.

Além disso, países mais pobres não têm tanta margem de manobra como as grandes potências para se manterem de portas fechadas durante muito tempo. No mesmo sentido, poderão não ter as estruturas de saúde necesárias para acompanhar todos os infectados e respectivas cadeias de transmissão.

Quanto tempo demorará a chegar uma vacina?

Dezenas de empresas e universidades em todo o Mundo estão a trabalhar numa solução, mas não existem garantias de que qualquer uma delas funcionará. A agência noticiosa lembra que este é um processo longo e complexo, que inclui anos de teste para garantir que as vacinas são seguras e eficazes. No caso do novo coronavírus, a ambição é de encontrar uma vacina no prazo de 12 a 18 meses.

Então e o outro caminho para a imunidade de grupo?

A Bloomberg explica que a imunidade de grupo por infecção apenas aconteceria se as pessoas recuperadas ficarem com imunidade, algo que ainda não foi comprovado. Além disso, também não é conhecida a proporção de pessoas que teriam de ser expostas ao vírus para estabelecer a imunidade de grupo – habitualmente, é elevada, chegando aos 75% no caso da difteria e aos 91% no sarampo.

Alguns estudos mostram que o número real de infectados é muito maior do que aquele confirmado pelas autoridades. Se for esse o caso, alguns países poderão estar mais próximos das imunidade do que se julga.

Existem outras variáveis?

Já muito se falou sobre a possibilidade de o COVID-19 esmorecer com a chega do calor, mas ainda não existem dados que o comprovem. E, mesmo que o Verão possa abrandar o ritmo de propagação, poderíamos enfrentar uma nova onda de contágio no próximo Outono.

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