Covid-19: Portugal vai começar a utilizar plasma de doentes recuperados. Ensaios clínicos previstos para final de Maio

Declarações prestadas na conferência de imprensa diária desta segunda-feira, que actualiza os últimos desenvolvimentos sobre a pandemia em Portugal.

Simone Silva

O secretário de estado da saúde, António Sales, refere, na conferência de imprensa diária da Direcção Geral da Saúde (DGS), desta segunda-feira, que a taxa de letalidade global é de 3,5% e acima dos 70 anos, 12,8%.

«O Serviço Nacional de Saúde (SNS) continua a preparar-se para lidar com a pandemia», segundo o responsável que indica que chegaram ontem 66 ventiladores vindos da China, que serão distribuídos de imediato por todo o país: 40 na região norte e centro e os restantes distribuídos pelas outras administrações regionais, segundo os critérios estabelecidos.

Portugal regista uma taxa de ocupação em cuidados intensivos de 54%, segundo António Sales, que refere que «Os portugueses também têm receios e incertezas» sublinhando a importância de ser «necessário reforçar a confiança na capacidade dos portugueses e do SNS.

Em relação à utilização de plasma de doentes recuperados, o secretário de estado da saúde revela que «sim é verdade, existe uma enorme vontade por partes de grandes instituições, nomeadamente: DGS, Infarmed, Instituto Ricardo Jorge e Instituto Português do sangue e da Transplantação».

O responsável indica que que estão a avaliar diversos factores, nomeadamente a tecnologia e que será criada uma task force, para que sejam validados os ensaios clínicos, que devem iniciar-se em doentes moderados graves. «Queríamos ver se até ao final do mês começávamos os ensaios clínicos», refere.

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António Sales indica também que os testes de biologia molecular, anunciados na sexta-feira, são validados pelo Infarmed, «fiáveis, mas não têm nada a ver com os testes rápidos», ainda que utilizem a mesma tecnologia e o mesmo tipo de colheita. Segundo o responsável, devem ser usados em situações de emergência, «até porque são um contingente relativamente limitado para já».

«Estamos a testar cada vez, somos dos países que mais testa a nível europeu», refere António Sales.

Na conferência estava também a directora geral da saúde, Graça Freitas, que refere que relativamente aos casos suspeitos, «preferimos apanhar muitos casos negativos, do que deixar escapar um positivo», tentando por isso que todas a as pessoas que ligam para a linha SNS24 com sintomas ligeiros, entrem para uma plataforma para que sejam testadas. «A maioria destas pessoas não dá positivo», refere.

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No que diz respeito aos lares, Graça Freitas indica que existe actualmente um plano «muito intenso», composto por dois métodos de testagem: uma política de testar rapidamente um determinado lar para encontrar casos positivos e isolar; e outra politica de testes de rastreio, que têm sido feita com as autarquias. A responsável refere que «há um plano para esses testes de rastreio, que cobre mais intensamente a região Norte e que prevê que os profissionais sejam submetidos a esse rastreio».

Relativamente à utilização de máscaras cirúrgicas, a responsável indica que «o seu uso não pode nunca comprometer a necessidade maior da utilização dos profissionais de saúde e doentes em ambiente hospitalar», acrescentando que «estamos a conseguir abastecer o mercado nos sectores da saúde».

Graça Freitas indica que estão a analisar as mortes de pessoas em casa e em instituições, sublinhando contudo, que todas as pessoas infectadas em casa estão a ser acompanhadas por equipas médicas e de enfermagem das suas unidades de saúde».

Em relação aos infectados no hostel em Lisboa, Graça Freitas indica que foi iniciado um processo de testes a todos os hóspedes e funcionários: «dos 116 testes realizados inicialmente, 100 deram positivos», segundo a responsável, que considera que a situação foi motivada por uma elevada concentração de pessoas. «Há um trabalho que deve ser feito para evitar situações futuras, sobretudo na população que não foi infectada e que é susceptível à doença», refere.

Portugal regista actualmente 20.863 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus, 657 casos nas últimas 24 horas e 735 ainda vítimas mortais, uma subida de 21 mortes face ao dia anterior, de acordo com os dados do boletim epidemiológico divulgado há instantes pela DGS.

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