O secretário de estado da saúde, António Sales, refere, na conferência de imprensa diária da Direcção Geral da Saúde (DGS), desta segunda-feira, que a taxa de letalidade global é de 3,5% e acima dos 70 anos, 12,8%.
«O Serviço Nacional de Saúde (SNS) continua a preparar-se para lidar com a pandemia», segundo o responsável que indica que chegaram ontem 66 ventiladores vindos da China, que serão distribuídos de imediato por todo o país: 40 na região norte e centro e os restantes distribuídos pelas outras administrações regionais, segundo os critérios estabelecidos.
Portugal regista uma taxa de ocupação em cuidados intensivos de 54%, segundo António Sales, que refere que «Os portugueses também têm receios e incertezas» sublinhando a importância de ser «necessário reforçar a confiança na capacidade dos portugueses e do SNS.
Em relação à utilização de plasma de doentes recuperados, o secretário de estado da saúde revela que «sim é verdade, existe uma enorme vontade por partes de grandes instituições, nomeadamente: DGS, Infarmed, Instituto Ricardo Jorge e Instituto Português do sangue e da Transplantação».
O responsável indica que que estão a avaliar diversos factores, nomeadamente a tecnologia e que será criada uma task force, para que sejam validados os ensaios clínicos, que devem iniciar-se em doentes moderados graves. «Queríamos ver se até ao final do mês começávamos os ensaios clínicos», refere.
António Sales indica também que os testes de biologia molecular, anunciados na sexta-feira, são validados pelo Infarmed, «fiáveis, mas não têm nada a ver com os testes rápidos», ainda que utilizem a mesma tecnologia e o mesmo tipo de colheita. Segundo o responsável, devem ser usados em situações de emergência, «até porque são um contingente relativamente limitado para já».
«Estamos a testar cada vez, somos dos países que mais testa a nível europeu», refere António Sales.
Na conferência estava também a directora geral da saúde, Graça Freitas, que refere que relativamente aos casos suspeitos, «preferimos apanhar muitos casos negativos, do que deixar escapar um positivo», tentando por isso que todas a as pessoas que ligam para a linha SNS24 com sintomas ligeiros, entrem para uma plataforma para que sejam testadas. «A maioria destas pessoas não dá positivo», refere.
No que diz respeito aos lares, Graça Freitas indica que existe actualmente um plano «muito intenso», composto por dois métodos de testagem: uma política de testar rapidamente um determinado lar para encontrar casos positivos e isolar; e outra politica de testes de rastreio, que têm sido feita com as autarquias. A responsável refere que «há um plano para esses testes de rastreio, que cobre mais intensamente a região Norte e que prevê que os profissionais sejam submetidos a esse rastreio».
Relativamente à utilização de máscaras cirúrgicas, a responsável indica que «o seu uso não pode nunca comprometer a necessidade maior da utilização dos profissionais de saúde e doentes em ambiente hospitalar», acrescentando que «estamos a conseguir abastecer o mercado nos sectores da saúde».
Graça Freitas indica que estão a analisar as mortes de pessoas em casa e em instituições, sublinhando contudo, que todas as pessoas infectadas em casa estão a ser acompanhadas por equipas médicas e de enfermagem das suas unidades de saúde».
Em relação aos infectados no hostel em Lisboa, Graça Freitas indica que foi iniciado um processo de testes a todos os hóspedes e funcionários: «dos 116 testes realizados inicialmente, 100 deram positivos», segundo a responsável, que considera que a situação foi motivada por uma elevada concentração de pessoas. «Há um trabalho que deve ser feito para evitar situações futuras, sobretudo na população que não foi infectada e que é susceptível à doença», refere.
Portugal regista actualmente 20.863 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus, 657 casos nas últimas 24 horas e 735 ainda vítimas mortais, uma subida de 21 mortes face ao dia anterior, de acordo com os dados do boletim epidemiológico divulgado há instantes pela DGS.




