Covid-19. Portugal regressa “cauteloso e dependente de Espanha”, alerta Siza Vieira

Pedro Siza Vieira antevê diferentes ritmos de retoma e acredita num aumento a verificar-se já este este ano, principalmente no segundo semestre.

Sónia Bexiga

Portugal retoma esta segunda-feira parte da atividade económica que estava parada devido ao estado de emergência decretado face à evolução da pandemia da covid-19. E esta retoma é essencialmente “cautelosa”, como afirmou o ministro da Economia e Transição Digital, Pedro Siza Vieira, ressalvando que “um pequeno desvio ou desleixo nas medidas de segurança pode comprometer todo um esforço”.

Sobre esta fase de reabertura, sobretudo do pequeno comércio, o ministro da Economia, em entrevista à Antena 1, realçou desde logo, que as portas só se abrem a partir das 10 horas, numa decisão acordada entre o Governo e as associações representativas do setor, de forma a permitir “o desfasamento dos fluxos de trânsito e evitar as grandes deslocações em hora de ponta”, detalhou.

Depois de ter visitado o grande comércio este fim de semana, o ministro conta visitar o pequeno ainda hoje, saudando aquele que considera ser “um bom regresso” já que o comércio local, de bairro, foi aquele que conseguiu crescer nas últimas semanas, tendo mesmo verificado um aumento significativo nas receitas. “Este redescobrir por parte dos cidadãos da importância do comércio local foi muito bom e espero que fique para o futuro”.

O ministro falou ainda dos apoios às empresas para reconversão e mencionou os exemplos na produção de máscaras, num esforço que vai permitir que Portugal passe a ser exportador destes produtos. “E as máscaras são um dos elementos que têm de fazer parte dos produtos de dia a dia das pessoas”, reforçou.

Pedro Siza Vieira antevê diferentes ritmos de retoma, e acredita num aumento a verificar-se já este este ano, principalmente no segundo semestre. “Tudo dependerá da forma como conseguirmos gerir este processo de transição e quanto melhor o conseguirmos gerir, e evitar que volte a haver crescimento do número de infetados, internados em em cuidados intensivos, melhor seremos capazes de construir as condições para uma retoma económica robusta. e para isso as pessoas têm de sentir confiança na forma como circulam e trabalham”.

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Sobre o desemprego, e do tempo necessário para recuperar, o ministro recordou que nos últimos 10 anos, a economia nacional se abriu muito no mercado interno mas mais ainda o fez no mercado externo, com as exportações a assumir um peso de relevo no Produto Interno Bruto.

Razão pela qual defende que a recuperação de Portugal é indissociável da recuperação dos seus parceiros, particularmente dos países da União Europeia, e muito especialmente da vizinha Espanha.

“As retomas vão fazer-se, mesmo fora da UE, em países para onde exportávamos, a velocidades diferentes. Espanha é o nosso grande parceiro, é o nosso primeiro cliente, e provavelmente vai ter alguns meses até retomar a normalidade da atividade, assim como vai ter também alguma depressão do seu nível de consumo e produção”, detalhou Siza Vieira.

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“E por isso temos que estar preparados para que a retoma seja diferente entre setores mas continuamos a acreditar que dentro de dois anos teremos regressado aos níveis de 2019 e já com uma retoma vigorosa a paryor do segundo semestre deste ano”, concluiu o ministro.

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