Covid-19: Portugal prestes a entrar numa “nova fase”. Governo decide esta quinta-feira alívio de medidas

O Conselho de Ministros decide esta quinta-feira o levantamento de algumas restrições da pandemia de Covid-19, preparando assim Portugal para a entrada numa “nova fase”.

Simone Silva

O Conselho de Ministros decide esta quinta-feira o levantamento de algumas restrições da pandemia de Covid-19, preparando assim Portugal para a entrada numa “nova fase”, tal como disse ontem a ministra da saúde, Marta Temido.

“Vamos ter uma reunião de Conselho de Ministros que está prevista para esta semana e depois o prazo da entrada em vigor destas medidas costuma ser a seguir ao diploma que as aprova, seguindo os seus passos habituais”, disse Marta Temido no final da reunião do Infarmed.

Apesar de a governante não ter referido uma data concreta, espera-se que hoje o Governo tome decisões, uma vez que é o único dia com esta reunião na agenda, tal como confirmou a Multinews, junto do gabinete do Conselho de Ministros. O ‘briefing’ da reunião está agendado para as 13h.

“Está marcada uma reunião de Conselho de Ministros para esta quinta-feira às 9h30 e é a única na agenda esta semana”, garantiu a mesma fonte sem adiantar o conteúdo da mesma, mas sublinhando que o encontro acontece “mesmo sem a presença do primeiro-ministro, António Costa”.

Isto porque, o governante encontra-se em Bruxelas, onde vai ficar até esta sexta-feira, para participar na cimeira União Europeia e União Africana, o que significa que não vai presidir o encontro, como habitualmente acontece.

Continue a ler após a publicidade

A reunião de hoje acontece um dia após a reunião de especialistas e Governo, no Infarmed, em Lisboa, onde se estabeleceu que Portugal tem condições epidemiológicas para aliviar já as medidas de combate à pandemia.

Tendência de infeção decrescente

Pedro Pinto Leite, especialista da Direção-Geral de Saúde, referiu que Portugal se encontra agora numa tendência de decréscimo de infeções, sendo que o pico de infeções aconteceu no passado dia 28 de janeiro.

Continue a ler após a publicidade

O responsável sublinhou  “vários aspetos positivos”, entre os quais a incidência do vírus (1142 casos por 100 mil habitantes a sete dias), que está a descer., bem como a positividade.

Outro ponto positivo é a “elevadíssima proteção” conferida pela vacinação (nomeadamente no reforço vacinal, acima dos 50 anos), que se reflete na diminuição do risco de internamento.

No que diz respeito ao impacto na mortalidade, o cenário é também positivo. A taxa estabilizou, quebrando a tendência crescente até agora verificada. A incidência da mortalidade é de 63 óbitos a 15 dias por um milhão de habitantes.

Em jeito de conclusão, o especialista sublinhou que “Portugal está numa situação favorável à revisão de medidas de controlo”.

Plano assente em dois níveis

Continue a ler após a publicidade

Raquel Duarte, especialista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, apresentou na reunião de ontem dois cenários, um de nível 0 (o mais próximo da normalidade) e outro de nível 1, para o qual Portugal está pronto para avançar.

A proposta é que em ambos os níveis “não haja mais limitações no acesso a estabelecimentos”, como locais de trabalho, espaços comerciais e bares e discotecas (fim do certificado digital/teste) e que acabe o teletrabalho e a proibição do consumo de bebidas alcoólicas na via pública.

No nível 1, utilização da máscara mantém-se em algumas situações. “Propomos que haja utilização ainda da máscara, obrigatória em locais interiores públicos e no exterior em locais de grande densidade populacional”, sublinha. No já 0 não se aplica.

No que diz respeito às fronteiras, no nível 1 aplica-se a isenção de teste para quem tiver certificado digital válido e a realização de teste PCR ou antigénio nas 24 horas anteriores para quem não tiver. No nível 0, não há qualquer restrição aplicada.

Quanto à testagem, no nível 1, além de uma rede sentinela, deve ser testada com maior regularidade a população com maior vulnerabilidade, funcionários do pré-escolar, locais de maior risco de transmissão e pessoas sintomáticas em contexto de diagnóstico. No nível 0, a testagem será apenas feita com o apoio de uma rede sentinela.

Raquel Duarte disse ao ‘Expresso’ que prevê que se atinja um valor abaixo das 20 mortes por milhão de habitantes a 14 dias “no próximo mês e qualquer coisa”, critério necessário para passar ao nível 0. Ou seja, até ao final de março, testes, certificados e máscaras poderão deixar de ser necessários.

Portugal prestes a entrar numa “nova fase”

A ministra da saúde, Marta Temido, referiu ontem que Portugal pode agora passar para uma nova fase”, num “avanço com tranquilidade”.

“Passámos o inverno com uma situação controlada, que nos permite olhar com expectativa para o que aí vem” e “podemos concentrar-nos numa nova fase. Sabemos que Portugal passou esta onda com muito menos restrições do que outros países”, afirmou.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Lacerda Sales, também referiu que é de esperar um “alívio nas restrições” impostas pela pandemia de covid-19, mas que esse alívio será “progressivo, gradual, cauteloso”.

Já a diretora geral da saúde, Graça Freitas, recomendou, um alívio “progressivo e em segurança” das medidas, sublinhando que Portugal está “no bom caminho”, apesar do fator de “gravidade”, ou seja, o número de óbitos por milhão de habitantes.

 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.