Covid-19: Portugal é o país da Europa com menos casos de reações adversas à vacina da AstraZeneca

Numa altura em que muito se fala sobre as ligações da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca a coágulos sanguíneos, Portugal é atualmente o país da Europa com menos casos de efeitos secundários reportados, relativos a esta injeção, avança a ‘RTP’.

Segundo dados comunicados pelas autoridades de saúde portuguesas à plataforma europeia de vigilância de reações adversas, o Infarmed apenas registou o reporte de 535 reações em 481 mil vacinas administradas.

O país vai manter, para já, a vacinação com o fármaco da AstraZeneca, tendo administrado até ao momento cerca de 481 mil doses. No primeiro trimestre Portugal recebeu mais de 700 mil doses do mesmo fármaco, esperando-se que no segundo trimestre sejam entregues mais um milhão e 600 mil.

Concretamente falando de tromboembolismos (que estão associados à vacina da AstraZeneca), segundo a Agência Europeia do Medicamento (EMA), foram registados 62 casos de trombose do seio venoso cerebral e 24 casos de trombose venosa esplâncnica até 22 de março, bem como 18 mortes, num universo de cerca de 25 milhões de vacinados na UE, Espaço Económico Europeu e Reino Unido. Neste último país, registam-se 19 mortes entre 79 casos de pessoas que desenvolveram este problema.

EMA diz que benefícios continuam a superar os riscos 

A diretora da Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês), Emer Cooke, esclareceu na quarta-feira que apesar de se confirmarem eventos de trombose «raros» devido à toma da vacina da AstraZeneca, os benefícios continuam a superar os riscos.

Em conferência de imprensa, a responsável referiu que «análise feita à vacina da AstraZeneca afirmou que «a vacina provou ser altamente eficaz na luta contra a pandemia, pelo que continuamos a aconselhar o seu uso», acrescentou.

Ainda assim, a EMA encontra uma «possível ligação» entre os casos de coágulos sanguíneos e a vacina, motivo pelo qual, estes sintomas «serão incluídos na lista de efeitos secundários raros da mesma», revelou ainda Cooke.

«Não há uma ligação de género, idade, ou pré-condições de saúde nestes casos raros de coágulos sanguíneos», adiantou a diretora da EMA sublinhando que é importante considerar estes sintomas, pelo que os profissionais de saúde «devem estar atentos».

Líderes portugueses pedem posição coordenada dos Estados-Membros 

Tanto o primeiro-ministro, como o Presidente da República, apelaram na quarta-feira à união e «atuação coordenada» dos estados-membros em matéria de vacinas. António Costa considera que as autoridades nacionais e todos os estados-membros da União Europeia (UE) devem respeitar as decisões da Agência Europeia do Medicamento (EMA) e evitar tomar medidas unilaterais».

Para o governante, é «fundamental que, ao menos na UE, haja uma atuação coordenada» e aguarda que os técnicos tenham uma «posição clara, compreensível e que dê tranquilidade».

Já Marcelo Rebelo de Sousa, indica que a polémica da AstraZeneca «é uma situação incómoda para a Europa como um todo», e sublinha que «os estado reagem de forma diferente» perante o surgimento de dúvidas sobre a eficácia das vacinas, o que não devia de acontecer.

O facto de «não haver uma posição unida, clara e duradoura em matéria de vacinas», por parte dos estados-membros da UE, «perturba as opiniões públicas», defende.

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