Portugal faz parte da minoria dos países da Europa que não se encontra a vacinar nenhuma pessoa que já tenha sido infetada com Covid-19. A conclusão é de um relatório do Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), ontem divulgado.
Segundo o organismo, existem atualmente 15 países que vacinam com as duas doses quem já contraiu o vírus (Roménia, Suécia, Chipre, República Checa, Alemanha, Luxemburgo, Lituânia, Bélgica, Letónia, Malta, Dinamarca, Finlândia, Croácia, Irlanda e Polónia).
Adicionalmente, verificam-se ainda outros sete que vacinaram apenas os infetados com uma dose (Espanha, Itália, França, Áustria, Eslováquia, Estónia e Noruega), um que não vacinou qualquer dose (Islândia) e outro onde o assunto está a ser discutido (Portugal).
O relatório intitulado «Risco de transmissão de SARS-CoV-2 em indivíduos infetados ou com vacinação anterior documentada», visa «compreender as evidências científicas disponíveis sobre até que ponto a infeção anterior ou vacinação com COVID-19 previne a transmissão progressiva de indivíduos infetados para contatos suscetíveis».
O organismo verificou que «a infeção por SARS-CoV-2 não oferece imunidade duradoura a todos os indivíduos e alguns que são reinfectados podem ainda ser capazes de transmitir o vírus a contatos suscetíveis».
«Há evidências de que a reinfeção continua a ser um evento raro. Os resultados confirmam que o efeito protetor da infeção anterior por SARS-CoV-2 varia de 81% a 100% a partir do dia 14 após a infeção inicial, por um período de acompanhamento de cinco a sete meses, sendo que a proteção contra reinfeção é menor em indivíduos com 65 anos ou mais», revela o ECDC no relatório.
DGS diz que o assunto está «em análise»
A Direção Geral da Saúde (DGS), disse à ‘TSF’ que o assunto em questão «encontra-se continuamente em análise», no entanto sublinha que a vacinação de pessoas recuperadas só «poderá vir a ocorrer logo que a disponibilização de vacinas aumente».
«Neste momento, encontramo-nos num cenário em que o número de vacinas é limitado pelo que o entendimento é que, à data, devem ser priorizadas as pessoas com maior risco/vulnerabilidade de contrair a infeção por SARS-CoV-2 e que não tenham ainda tido a possibilidade de desenvolver resposta imunológica», esclarece o organismo.
Esta decisão tem que ver com o «princípio da maximização do benefício, perante a escassez de recursos (vacinas)», revela a DGS referindo que «as pessoas que recuperaram de infeção por SARS-CoV-2 não devem ser excluídas do plano de vacinação».














