Covid-19: Portugal com 200 mortos em 3 meses e entre os países da Europa com mais casos

Portugal encontra-se numa posição preocupante no panorama europeu da covid-19, ocupando o sétimo lugar entre os países com maior número de casos. De acordo com os dados mais recentes da Direção-Geral da Saúde (DGS), desde o início do ano, Portugal registou 3.593 novos casos e 197 óbitos devido à doença.

Executive Digest

Portugal encontra-se numa posição preocupante no panorama europeu da covid-19, ocupando o sétimo lugar entre os países com maior número de casos. De acordo com os dados mais recentes da Direção-Geral da Saúde (DGS), desde o início do ano, Portugal registou 3.593 novos casos e 197 óbitos devido à doença.

Os especialistas em saúde, nomeadamente o pneumologista Filipe Froes, que integra a equipa da DGS para a pandemia, e Gustavo Tato Borges, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, manifestam uma preocupação acrescida em relação a estes números. Tato Borges afirma, citado pela CNN Portugal que, “o número total de casos novos de covid-19 é imensamente superior ao que é relatado” destacando que números oficiais não refletem a verdadeira dimensão da pandemia em território português..

Por isso, Tato Borges sublinha a dificuldade em avaliar a real incidência da doença, explicando que, embora exista uma perceção da gravidade da covid-19 com base no número de internamentos, a verdadeira extensão da pandemia permanece incerta.

Filipe Froes, por sua vez, destaca a necessidade urgente de um balanço sobre o impacto da pandemia na sociedade portuguesa. O especialista recorda que “estamos a entrar quase no primeiro aniversário do fim da pandemia e já passámos o quarto aniversário da declaração de início”.

A discussão sobre as variantes Ómicron também continua a ser relevante, defendem. Froes menciona que, apesar de serem mais transmissíveis, as atuais variantes em circulação são menos agressivas. Segundo o pneumologista, “não há nenhuma variante de preocupação em circulação identificada, o que é bom”. Além disso, Froes reitera a eficácia da vacina atual contra a sublinhagem JN.1, que tem sido predominante em Portugal, conforme os dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

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No entanto, a causa exata das mortes relacionadas com a covid-19 continua a ser uma questão em aberto. Froes levanta preocupações válidas ao questionar: “Não sabemos se a resposta inflamatória desencadeada pela covid-19 tem impacto noutras patologias”. Tato Borges enfatiza a necessidade de um alerta constante para o risco da doença, especialmente entre os mais vulneráveis, observando que “197 [óbitos] em 3.593 pode ser significativo, é cerca de 5%”.

Os especialistas também se mostram críticos em relação à estratégia de testagem e à cobertura vacinal em Portugal. Froes sugere a implementação de rastreios de atividade viral na água residual, uma prática já adotada noutros países, para complementar os dados oficiais e antecipar surtos. Quanto à vacinação, apesar de Portugal apresentar uma taxa superior à de muitos países, Froes revela que “os mais recentes dados apontam para uma taxa de cobertura vacinal de 55% para pessoas com mais de 60 anos”, um valor que considera insuficiente.

Tato Borges critica a “fadiga pandémica” e uma comunicação pouco clara sobre a importância da vacinação, sugerindo que o Serviço Nacional de Saúde deve ser mais proativo na promoção da vacinação. O presidente da ANMSP considera que a vacina contra a covid-19 se tornará parte do calendário vacinal sazonal, defendendo um planeamento mais profissional e abrangente.

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Os especialistas são unânimes em afirmar que a covid-19 continuará a ser uma realidade com a qual Portugal terá de lidar nos próximos anos. Froes assegura que “teremos mais uma vacina todos os anos”, sublinhando a necessidade de uma abordagem proativa e informada para combater eficazmente a pandemia.

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