Covid-19: Polónia pressiona Pfizer a renegociar acordo das vacinas com a UE devido a excesso de doses

O Governo da Polónia está a pressionar a administração da Pfizer a renegociar o acordo que o gigante farmacêutico fez com a UE no âmbito das vacinas da Covid-19, no âmbito da disputa que decorre sobre o excesso de doses da inoculação que estão a ser fornecidas aos vários países.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Governo da Polónia está a pressionar a administração da Pfizer a renegociar o acordo que o gigante farmacêutico fez com a UE no âmbito das vacinas da Covid-19, no âmbito da disputa que decorre sobre o excesso de doses da inoculação que estão a ser fornecidas aos vários países.

Numa carta, assinada pelo ministro polaco da Saúde, Adam Niedzielski, e citada pelo Politico, o governante apela à “responsabilidade social da empresa” e pede que sejam dispostos termos mais favoráveis nas negociações para reduzir o total de doses que estão a ser enviadas para a UE, em demasia, de forma a que vão chegando de forma mais dispersa e num período de tempo mais longo do que o acordado.

Varsóvia tem liderado os esforços para ‘reabrir’ o maior contrato da UE, de 1,1 mil milhões de dores da vacina da Pfizer/BioNTech contra a Covid-19. O acordo, assinado no auge da pandemia, ‘trancou’ a UE na compra de 500 milhões de doses este ano, numa altura em que as taxas de vacinação vão reduzindo e que a pandemia já está a entrar em fase endémica.

Como resultado, milhões de doses das vacinas já passaram o prazo em armazéns espalhados por toda a Europa. A alemã BR24 adiantava que, em janeiro, seriam 36,6 milhões de doses a expirarem, enquanto a Áustria já informou que quase 18 milhões de doses da vacina não foram usadas e acabaram por chegar ao fim da validade.

A Comissão Europeia estará a desenvolver esforços para renegociar o contrato com a Pfizer. Os detalhes não são púbico, mas a proposta que estará a ser discutida define o cancelamento de alguns ‘carregamentos’ da vacina, mas com um preço mais elevado por dose para as entregas que permanecem, na prática criando uma ‘taxa de cancelamento’ das encomendas.

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“Em vez de mostrar solidariedade, a empresa quer fazer ainda mais dinheiro de fundos alocados por Estados-membros da UE que tinham como objetivo a proteção da saúde publica”, acusa o Governo polaco na carta enviada à Pfizer.

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