Com o surto de coronavírus avançar em 80 países, incluindo Portugal, com oito casos confirmados de infecção por Covid-19, impera a questão: Quão pior será? «Muito pior», de acordo com Marc Lipsitch, epidemiologista da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde o número de mortos pelo novo coronavírus subiu para 11 nesta quinta-feira.
«Existe a probabilidade de que o novo coronavírus venha a infectar entre 40% a 70% de adultos em todo o mundo», o equivalente a, pelo menos, três biliões de casos, segundo o especialista, citado pelo “Business Insider”. Destes, cerca de 1% a 2% podem mesmo vir a morrer, prevê.
Marc Lipsitch ressalva, ainda assim, que este cenário pode ser travado se forem tomadas medidas de contenção, nomeadamente «cancelar reuniões públicas, potencialmente fechar escolas, trabalhar a partir de casa, ou seja, reduzindo o contacto entre pessoas». O médico acrescenta também que para travar a propagação do vírus é necessário insistir no isolamento e quarentena de casos confirmados ou em risco.
Questionado sobre a razão de não ter incluído crianças no estudo, explicou: «Não se sabe realmente o que está a acontecer com elas». Para já, muito poucas crianças foram infectadas com o coronavírus. Num estudo recente, apenas 1% do total de casos eram crianças num universo de 44 mil doentes.
Entretanto, as autoridades de saúde pública confirmaram que, afinal, este novo coronavírus tem uma taxa de mortalidade global de 3,4% e não de 2%, como chegou a ser adiantado. O Covid-19 é, ainda assim, menos mortal do que outros coronavírus como a SARS (9,5%) e a MERS (34,5%).
Numa conferência de imprensa sobre o surto provocado pelo novo coronavírus e que provoca a doença designada de Covid-19, o director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, adiantou na quarta-feira que, «globalmente, cerca de 3,4% dos casos divulgados de Covid-19 morreram».
A OMS havia dito, na semana passada, que a taxa de mortalidade da Covid-19 poderia variar 0,7% a 4%, dependendo da qualidade do sistema de saúde onde é a doença é tratada. No início do surto, os cientistas haviam concluído que a taxa de mortalidade era de cerca de 2,3%.
O surto de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, já provocou mais de 3200 mortos e infetou mais de 94 mil pessoas em 80 países. Além das 3012 vítimas mortais na China Continental, há a registar mortes no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos e Filipinas. Das pessoas infetadas, cerca de 50 mil recuperaram.
Em Portugal, subiu esta quinta-feira para oito o número de infectados com o Covid-19, após mais dois testes positivos no Porto, avança a “RTP”. Trata-se de dois homens, entre os 40 e os 50 anos. Um esteve em Itália e o outro está relacionado com outro caso previamente diagnosticado.
A Organização Mundial de Saúde declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para «muito elevado».
Recorde-se que a linha SNS 24 foi reforçada com 100 enfermeiros e foi criada a Linha de Apoio ao Médico (300 015 015). Há quatro hospitais de segunda linha e seis de prontidão; oito laboratórios estão aptos a realizar testes de despiste. Há duas mil camas que serão disponibilizadas progressivamente e à medida das necessidades, 300 das quais em cuidados intensivos. As Forças Armadas podem disponibilizar camas de internamento e cuidados intensivos e hospitais de campanha.
A Direção-Geral de Saúde que tem um microsite com múltiplas informações sobre a doença, recomenda como principais medidas de prevenção a frequente lavagem de mãos. Em caso de possível contágio, a indicação é ligar para o SNS 24 (808 24 24 24) e evitar deslocações aos serviços de saúde.
Quem vai viajar nas próximas semanas, pode recorrer à linha telefónica de esclarecimento da Deco (21 371 02 82, dias úteis, das 10 às 18 horas)








