“Quer ir onde?”. É desta forma que o segurança, com o rosto protegido por uma máscara (mas sem luvas), se dirigia às pessoas que aguardavam a entrada num centro comercial da zona de Oeiras. Às 9h40 da manhã havia apenas um quiosque aberto no interior no estabelecimento. Os funcionários de uma loja de comida para animais e os do supermercado (que abriria pouco depois) preparavam-se para entrar ao serviço – a fila de pessoas para ir às compras aumentava cada vez mais. “Mantenham a distância de segurança. Dois metros”, avisava o segurança. Os clientes resmungavam. “Há quem diga que é só um metro”, diziam. “Quem quer proteger-se, protege-se. Ou então fiquem só a 20 centímetros”, barafustavam outros.
Perto dali, uma pequena padaria, praticamante vazia, estava aberta e a vender pão. Na rua ao lado, os funcionários do balcão de um banco controlavam as entradas e as saídas: “uma pessoa de cada vez”, alertavam. Ainda nas imediações, o empregado de uma bomba de gasolina atendia os clientes através de uma janela.
Ao segundo dia de estado de emergência em Portugal, o Governo volta a reunir-se em Conselho de Ministros para debater as medidas de apoio social e económico para a população afetada pela pandemia de Covid-19. As deslocações deverão acontecer só por necessidade. O governo pode interditar as deslocações e a permanência na via pública que não sejam justificadas. Entende-se que serão justificadas as saídas por motivos profissionais, por questões de saúde, para assistência a terceiros ou para abastecimento de bens e serviços. Ou seja, será possível ir a casa de familiares que estejam a precisar, ir às compras ou à farmácia e pouco mais. No entanto, uma reportagem da SIC mostrou hoje de manhã que ainda são muitos os que utilizam os transportes públicos. Na estação do Cacém, por exemplo, há carruagens lotadas desde as primeiras horas da manhã.
Também a circulação individual deverá ser reduzida ao mínimo e ser “preferencialmente desacompanhada”, ou seja, é possível ir à rua passear o cão ou correr no jardim, mas sozinho. Em qualquer saída deverá ser mantida a distância de segurança de um metro em relação a outras pessoas.
Apesar da chuva fraca que caía esta manhã, ainda se encontravam no passeio marítimo de Oeiras alguns corredores isolados e vários carros da PSP circulavam pelas ruas. Nas zonas residenciais apenas se viam pessoas a passear o cão. “É hora de vir à rua com ele (um husky siberiano), depois vou enfiar-me em casa”.













