Covid-19: Pandemia provocou quase o triplo das mortes registadas oficialmente, estima a OMS

A organização acredita que muitos países contabilizaram menos mortes do que as que ocorreram.

Executive Digest com Lusa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou esta quinta-feira que o número real de mortes causadas pela Covid-19 e pelas suas consequências no mundo está perto dos 15 milhões, segundo a BBC. É quase o triplo do número de mortes registado oficialmente – os dados oficiais apontam para 5,4 milhões de mortes no mundo.

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“Novas estimativas da Organização Mundial da Saúde mostram que o número total associado direta ou indiretamente à pandemia de Covid-19 entre 1 de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2021 é de aproximadamente 14,9 milhões de mortes (um intervalo de entre 13,3 e 16,6 milhões)”, concluíram os analistas da organização.

A OMS acredita que muitos países reportaram menos mortes provocadas pela pandemia do que as que de facto ocorreram.

A agência das Nações Unidas dá o exemplo da Índia. A OMS refere que neste país morreram 4,7 milhões de pessoas devido à Covid-19, um número dez vezes superior aos dados oficiais do governo indiano.

Para este cálculo a OMS analisou o excesso de mortes – quantas mais pessoas morreram do que seria normalmente expectável tendo por base a mortalidade numa região antes de ser atingida pela Covid-19.

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A estimativa da OMS também tem em conta os números indiretos de mortes causadas pelas consequências da pandemia, como o facto de as pessoas não poderem aceder aos hospitais para receberem o tratamento de que necessitavam.

“Estes dados preocupantes ressaltam não apenas o impacto da pandemia, mas também a necessidade de todos os países investirem em sistemas de saúde mais resilientes, que possam sustentar serviços essenciais de saúde durante crises, incluindo sistemas de informação de saúde mais fortes”, defendeu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Os dados da nova estimativa

Segundo a OMS, a maioria das mortes da nova estimativa (84%) aconteceu no sudeste asiático, Europa e Américas, sendo que só os primeiros 10 países da lista registaram maior mortalidade são responsáveis por 68% do total da diferença do número de mortos.

Os países mais ricos foram responsáveis por 15% da diferença do número de mortes, enquanto os países de rendimento médio alto apresentaram mais 28% de mortos do que os números oficiais e os de rendimento médio baixo mais 53%. Os países mais pobres foram responsáveis por mais 4%.

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O número global de mortes foi maior entre os homens do que entre as mulheres – 57% homens, 43% mulheres – e maior entre os idosos.

“Medir o excesso de mortalidade é um fator essencial para entender o impacto da pandemia”, explicou a responsável pelo novo estudo da OMS, Samira Asma.

Informações mais confiáveis permitem que os decisores preparem melhor o terreno para limitar o impacto de crises futuras, acrescentou.

“Estas novas estimativas são baseadas nos melhores dados disponíveis, produzidos a partir de uma metodologia sólida e uma abordagem completamente transparente”, adiantou ainda.

O assunto é extremamente sensível devido às repercussões políticas destes números, já que mostram a qualidade da gestão da crise pelas autoridades.

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