Os alemães foram aconselhados a ficar em casa o máximo de tempo possível e a continuar a aplicar as medidas de distanciamento social, uma vez que segundo dados oficiais, a propagação da pandemia do novo coronavírus no país, parece estar a acelerar novamente, avança o ‘The Guardian’.
O número básico de reprodução (o chamado ‘R’), que indica quantos novos casos uma pessoa infectada pode gerar em média, passou a ser visto como o principal factor no qual se baseiam para decidir se as restrições podem ou não ser aliviadas, depois da chanceler Angela Merkel ter sublinhado a importância de manter o número abaixo de 1.
Na terça-feira, a agência de controlo de doenças do governo alemão, o Instituto Robert Koch (RKI), anunciou que o ‘R’ tinha subido para 1, na segunda-feira dia 27 de Abril, depois de ter atingido 0,7 em meados do mesmo mês.
Lothar Wieler, presidente da RKI, detalhou posteriormente que a taxa de reprodução do vírus para segunda-feira era de 0,96 e, portanto, tecnicamente ainda abaixo de 1.
Os cientistas acreditam que a taxa básica de reprodução da Covid-19, se situe entre 2,4 e 3,3. Sem medidas para conter a propagação do vírus, a taxa de novas infecções poderia aumentar exponencialmente até cerca de 70% da população ter sido infectada.
Wieler apelou assim aos alemães para «preservar o nosso sucesso» e impedir que os serviços de saúde fossem sobrecarregados, continuando a aplicar as regras de distanciamento social, mesmo que as autoridades federais já tenham começado a aliviar as restrições ao movimento social.
«Vamos continuar em casa o máximo de tempo possível, observando as restrições e mantendo uma distância de 1,5 metros um do outro», disse Wieler.
O especialista médico também alertou para o facto de que não se devem fixar muitas expectativas num único indicador, dizendo que «o ‘R’ é apenas um factor entre muitos outros».
Como os políticos alemães estão cada vez mais divididos sobre a velocidade com que as medidas de distanciamento social devem ser aliviadas, as notícias negativas do crescente número de infecções semearam alguma confusão, especialmente com os dados oficiais mais recentes também a mostrar que os novos casos de infecções caíram abaixo dos mil, pela primeira vez em quase sete semanas.
Outras instituições científicas que estudam a propagação da pandemia na Alemanha questionam se a tendência de queda das últimas semanas foi de facto revertida, como sugerem os números da RKI.
Em teoria, o número de reprodução é calculado ao dividir o número de novas infecções por um número ponderado de pessoas infectadas. Na prática, é impossível determinar números perfeitamente precisos em ambas as contagens e até os dados disponíveis sobre novas infecções são compilados com um atraso de alguns dias. O número de reprodução é, portanto, sempre uma estimativa.
Para a sua própria estimativa do número de reprodução, o RKI tenta ter em consideração o atraso, ignorando os dados dos últimos três dias e retrocedendo casos conhecidos para o provável dia de infecção, cerca de uma semana antes.
Desta forma, o número de reprodução anunciado na terça-feira pode apenas dar uma indicação do desenvolvimento da pandemia há cerca de uma semana e meia, quando Angela Merkel anunciou um alívio das medidas de distanciamento social, que ainda não entraram em vigor.
Modelos alternativos para estimar o número de reprodução foram desenvolvidos pela Technische Universität Ilmenau , no estado oriental da Turíngia, e pelo Centro Helmholtz de Pesquisa de Infecções em Braunschweig.
O estatístico Thomas Hotz, da Universidade de Ilmenau, disse que o modelo utilizaso pelo RKI tende a «suavizar» o número de novas infecções pelo método pelo qual ele tentou corrigir o atraso no relatório. Hotz disse que o seu próprio modelo não indica um aumento repentino de novas infecções e que ele acredita que o número de reproduções deve permanecer abaixo de 1 durante os próximos dias.




