A frase é do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, que falava no programa “As Três da Manhã”, da “Renascença”, nesta quinta-feira.
Para o autarca, o regresso de todos os alunos às escolas colocaria em causa todo o trabalho já feito. «O número de jovens, crianças, pais e professores envolvidos seria de uma dimensão tal que significaria uma sociedade completamente aberta e a funcionar na plenitude como se não houvesse pandemia com imensa dificuldade em fazer qualquer tipo de distanciamento social, sobretudo porque são milhões de alunos», crê.
Segundo Fernando Medina, está em cima da mesa «um regresso presencial dos alunos que tenham de fazer exames» de acesso ao ensino superior, mas «possivelmente com um reajustamento do calendário». Aqui, sublinhou, «estamos a falar de um universo muito mais limitado de alunos e com maior autonomia».
«É muito difícil assegurarmos esta compatibilidade das famílias em teletrabalho com filhos em casa. Os pais não estão hoje preparados para substituir as escolas», afirmou. «Podem ser transmitidos alguns conteúdos de ensino, mas não estamos a falar de uma aprendizagem onde a relação aluno-professor é absolutamente essencial», reafirmou, dizendo ainda que «terá de ser recuperada» nos próximos anos.
Recorde-se que o primeiro-ministro anuncia esta hoje a decisão em relação às actividades lectivas presenciais no terceiro período, depois de ouvir especialistas, representantes da comunidade escolar, partidos, sindicatos e os órgãos consultivos do Ministério da Educação durante dois dias. Desde 16 de Março que todos os estabelecimentos de ensino, desde creches a universidades e institutos politécnicos, estão encerrados para conter a propagação da Covid-19.
O Presidente da República, que participou na terceira reunião sobre a situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal, na terça-feira, antecipou-se ao chefe do Governo, dizendo que «obviamente» não haverá abertura das escolas em Abril.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infectou mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 83 mil.
Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.
Em Portugal, segundo o último balanço da Direção-Geral da Saúde, registaram-se 380 mortes e 13.141 casos de infecções confirmadas.
Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de Março, encontra-se em estado de emergência desde a meia-noite de 19 de Março e até ao final do dia 17 de Abril, depois do prolongamento aprovado há uma semana na Assembleia da República.





