Covid-19: Ordem dos Enfermeiros recebe denúncia de vacinação indevida a dirigentes de IPSS no Centro do país

A Secção Regional do Centro (SRCentro) da Ordem dos Enfermeiros (OE), recebeu uma carta anónima, na qual são denunciadas situações de vacinação contra a Covid-19 indevidas em dirigentes de uma associação em Viseu.

Simone Silva

A Secção Regional do Centro (SRCentro) da Ordem dos Enfermeiros (OE), recebeu uma carta anónima, na qual são denunciadas situações de vacinação contra a Covid-19 indevidas em dirigentes da Associação de Solidariedade Social de Farminhão, em Viseu.

Num comunicado enviado às redações, o organismo cita a denúncia, revelando que «a administração da 1ª dose da vacina contra a Covid-19 terá ocorrido no dia 18 de Janeiro, tendo abrangido todos os utentes e colaboradores da Unidade de Cuidados Continuados de Farminhão, uma valência da associação em questão,  uma instituição particular de solidariedade social do concelho de Viseu».



Na carta, a que Executive Digest teve acesso, são mencionados os vários nomes das pessoas que foram vacinadas, onde «para além dos colaboradores e utentes» se destacam ainda a diretora executiva, o presidente da Assembleia Geral, o presidente da Direção, a vice-presidente, bem como outros vogais.

O documento, que não está assinado descreve como «lamentável esta atitude por parte de dirigentes que gerem uma instituição que recebe dinheiro de todo nós», usando-a, «na primeira oportunidade para benefício próprio, pensando só neles e nas suas famílias», pode ler-se.

Contactado pela Executive Digest, Ricardo Correia de Matos, Presidente do Conselho Diretivo da SRCentro, revela que tem «recebido várias denúncias, quer por parte de enfermeiros, quer por parte de cidadãos, esta foi mais uma», afirma dizendo que não contactou a instituição e por isso não sabe mais informações.

«Acho que as ordens devem cumprir com este seu mandato e partilhar este tipo de denúncias no sentido de que exista uma investigação nestes casos, para apurar se de facto é verdade ou não, e agir em conformidade», refere. «Neste momento o ministério já revelou que pode configurar crime este tipo de prática, no entanto isto foi só uma comunicação, falta haver uma pronúncia dos tribunais», acrescentou.

Ricardo Correia de Matos adiantou também que «a Ordem dos Enfermeiros já solicitou o pedido à Procuradoria Geral da República na sexta-feira, no sentido de esta se pronunciar sobre estas violações do Plano de Vacinação, tendo em conta que se trata de um bem extremamente precioso para o futuro de Portugal», indica esperando que exista «celeridade» no processo «para prevenir situações similares».

A vacinação «ainda agora começou, temos de cerca de 350 mil doses administradas e ainda falta muito para conseguirmos ter a chamada imunidade de grupo, não podemos permitir estas violações das prioridades», adianta o responsável sublinhando que este não é caso único.

«Desde que se iniciou o plano de vacinação a 27 de setembro, começámos imediatamente a receber denúncias de vacinação indevida, primeiramente a profissionais de saúde que não estavam na linha da frente» e depois a «órgãos sociais e IPSS», existindo até à data «mais de uma dezena de casos», revelou.

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