Covid-19: Ódio com amor se paga. Espanhóis repudiam ataques e reforçam orgulho nos profissionais de saúde

Nos últimos dias, têm chegado de Espanha notícias que dão conta de uma “onda” de desrespeito e pressão sobre médicos, enfermeiros e até empregados de comércio que denunciam ameaças perpetradas por vizinhos que, temendo o contágio da covid-19, lhes ordenam que deixem as suas casas.

No meio desta polémica, houve quem quisesse quebrar a corrente lembrando que “não há pior doença que não ter coração” e recorrendo às redes sociais, Maria José, de Tenerife, declarou e reforçou o seu apoio a estas vítimas, não da pandemia, mas da falta de solidariedade dos cidadãos. O que se revelou tão ou mais viral que as mensagens de ataque, como noticia a Sábado.

Tal como as mensagens de ódio, também esta declaração “do bem” começou por se dirigir “aos nossos vizinhos trabalhadores” pedindo “pelo bem de todos” que “não percam o ânimo, que a nossa saúde, os nossos alimentos, os nossos idosos estão nas vossas mãos”.

“Não te esqueças que para nós és um orgulho”, escreve também, reforçando que grande parte das pessoas “não teria capacidade de fazer” tais trabalhos – enquanto os restantes “estão seguros em casinha”. A mulher também se disponibiliza para ajudar os vizinhos que precisam de modo a aliviar a sobrecarga que estão a viver.

Em resposta a esta “onda” de desrespeito, a polícia espanhola já defendeu que as mensagens contra os profissionais na linha da frente “são crimes de ódio”, “denunciáveis, reprováveis e devem ser investigados”.

Recorde-se que esta é a resposta ao episódio em que uma médica é chamada de “ratazana contagiosa”, uma frase pintada no seu automóvel, alegadamente escrita por vizinhos. A imagem, partilhada nas redes sociais, rapidamente se tornou viral.

Há ainda os registos de um médico, da Ciudad Real, na zona sul de Madrid, que chegou a casa no fim de semana e tinha um papel colado na porta de casa. “Olá vizinho, sabemos de todo o teu trabalho no hospital e agradecemos mas deves pensar nos teus vizinhos. Aqui há crianças e idosos. Há lugares como a Barataria [Hotel Ínsula Barataria] onde estão alojados outros profissionais. Enquanto isto durar, peço apenas que penses”, relatou o El Mundo.

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