COVID-19 obriga marcas de moda a cancelar encomendas: Bangladesh perde 2.7 mil milhões

Um conjunto de retalhistas de moda cancelou ou suspendeu encomendas no valor de 2,4 mil milhões de libras (aproximadamente 2,7 mil milhões de euros) a fábricas no Bangladesh. A Primark está entre as empresas que avançaram com a medida, na sequência do abrandamento da procura devido ao COVID-19.

Segundo o The Guardian, que dá conta de dados da Bangladeshi and Garment Exporters Association (BGMEA), mais de um milhão de trabalhadores do Bangladesh foram despedidos ou mandados para casa sem pagamento.

Em declarações ao mesmo jornal, a Primark garante estar profundamnte triste com o efeito do cancelamento na cadeia de abastecimento, mas diz não ter tido outra opção. “É uma acção sem precedentes em tempos sem precedentes e, francamente, inimagináveis.”

Do valor apontado, 1,4 mil milhões de libras dizem respeito a encomendas canceladas e os mil milhões restantes correspondem a pedidos suspensos. Segundo a associação, já estavam em produção ou completas peças de roupa no valor de 1,3 mil milhões de libras, o que representará um prejuízo elevado para as fábricas. A BGMEA fala mesmo em “catástrofe”.

Ao contrário da Primark ou da Edinburgh Wollen Mill (que também cancelou encomendas), marcas como Next, Marks & Spencer e Tesco garantem que irão honrar os compromissos estabelecidos. Também gigantes como H&M e Zara asseguram que irão manter as encomendas submetidas.

Um inquérito realizado a perto de 300 fornecedores do Bangladesh na área do vestuário indica que os retalhistas ocidentais têm utilizado cláusulas de “força maior” nos contratos para cancelar ou suspender pedidos devido ao novo coronavírus. O inquérito, realizado pela Workers Rights Consortium em parceria com a Penn State University, mostra ainda que, de acordo com mais de 97% dos fabricantes, as marcas não oferecem qualquer tipo de apoio financeiro para cobrir os custos dos trabalhadores que têm de entrar em licença temporária.

«Nós temos de pagar adiantado por todos os nossos materiais e os bancos estão a bloquear as minhas contas. Não consigo sequer pagar as contas de utilities», conta Mostafiz Uddin, CEO da Bangladesh Apparel Exchange e managing director da Denim Expert. O mesmo responsável sublinha que não podem fazer nada em relação ao assunto porque depois do surto terão de continuar a trabalhar com estas marcas.

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