Covid-19: o dia a dia de uma menina de 14 anos que vive há um ano e meio com sintomas persistentes

Quando faz ativididades, a sua dor de cabeça piora, o que a está a afetar, e muito, tanto no dia a dia como psicologicamente, já que Alba é uma adolescente que não consegue fazer o que fazia normalmente. “Com a dor, ela não se concentra, esquece-se das coisas, torna-se difícil estudar. Também desistiu de nadar e não pode sair com os amigos. Não pode fazer a sua vida”

Francisco Laranjeira

Alba tem 14 anos e meio e está no 3º ano do ESO num instituto em Valência. Em janeiro de 2021, assim como a respetiva família, foi infetada pela Covid-19, conforme confirmado por um teste PCR. Os sintomas foram leves, como uma constipação com dor de cabeça. Com o tempo, ficou livre do vírus mas o desconforto persistiu, até hoje, quase um ano e meio depois.

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“Não podia ir à escola. No ano passado tivemos de pedir assistência domiciliar para acompanhar as aulas em casa. Este ano, ela começou a ir para as aulas mas apenas pela manhã. Depois, chegava a casa e tinha de se deitar. Até novembro, quando voltámos a pedir atendimento domiciliar”, explicou, ao jornal espanhol ‘La Vanguardia’, a mãe Pilar Pardo.

Quando faz atividades, a sua dor de cabeça piora, o que a está a afetar, e muito, tanto no dia a dia como psicologicamente, já que Alba é uma adolescente que não consegue realizar os seus afazeres normais. “Com a dor, ela não se concentra, esquece-se das coisas, torna-se difícil estudar. Também desistiu de nadar e não pode sair com os amigos. Não pode fazer a sua vida”, apontou a progenitora.

No entanto, Alba não está sozinha. Apesar de não ser um caso muito frequente, existem outros menores na sua situação, com sintomas persistentes da Covid-19. Agora estão juntos, num grupo com famílias de outras comunidades autónomas de Espanha, para partilharem as suas experiências, acompanhamento e pedirem “visibilidade, investigação e compreensão”.

Pilar Pardo explicou que o grupo é composto por cerca de 30 crianças de toda a Espanha, das quais 4 são valencianas, entre os 8 e os 17 anos. “Não há remédio. O neurologista enviou à minha filha alguns comprimidos que a fazem sentir-se pior. Houve outra menina que chegou a receber morfina para fazer a dor passar”, lembrou.

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Um dos obstáculos com que às vezes se deparam é a própria equipa médica – embora tenha assegurado à sua filha que estes “fazem tudo o que podem”, no entanto relatou outros casos em que a menosprezaram e garantem aos pais que “é psicológico”. “Simplesmente dizem que não acreditam no que as crianças dizem e ficamos impotentes, porque os nossos filhos querem ir à escola e não podem”, acusou.

Aliás, garantiu que outra família de Valência está com os serviços sociais “atrasados” porque a criança não vai à escola devido à dor de cabeça derivada da Covid persistente. Sem medicação, a única solução que os menores têm é “deitar-se e tentar relaxar”.

“Se saem um dia, passam dois ou três na cama sem se conseguir mexer. Ao contrário do habitual, o exercício físico agrava a dor, portanto, não há outra escolha a não ser descansar. É uma montanha-russa, oscila, um dia ela está bem e depois dois ou três mal… Embora a minha filha não tenha esatdo completamente bem no último ano e meio, não se passaram nem 10 minutos em que alguma coisa lhe doesse”, explicou.

Aos desconfortos do dia a dia soma-se o custo económico, como a injeção de botox contra a dor. Pilar Pardo estimou que neste ano e meio a Covid persistente da sua filha lhe tenha custado cerca de 700 euros em terapias ou exames não abrangidos pela saúde pública.

Os diferentes grupos da Covid persistente têm conversado com diferentes instituições. “Não é uma doença psicológica mas real. Uma criança não pode ficar a inventar sintomas durante um ano e meio”, sustentou. E as respostas das instituições? “Agora parecem que não querem falar da Covid-19. Parou e os nossos filhos parecem abandonados”, denunciou.

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